You say goodbye and I say hello

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A belíssima canção dos Beatles diz muito sobre as incertezas atuais que acometem a redistribuição global e regional do poder. Isso passa por três questões fundamentais: que papel os Estados Unidos exercerão ou deixarão de exercer no mundo? O que querem os países emergentes ou os surpreendentes (como o Irã)? Quanto tempo a Europa levará para superar sua crise interna? Uns dizem adeus, outros dizem olá.

Alguns pontos relevantes para a discussão:

1) Na última sexta-feira, dia 21, o presidente Obama anunciou a retirada definitiva das tropas norte-americanas do Iraque, mas disse que a porta do país estará sempre aberta aos Estados Unidos. Quais serão as repercussões disso?
2) De acordo com a publicação intitulada “Global Trends 2025: a transformed world”, do National Intelligence Council (NIC), um centro de estudos norte-americano, ocorrerá uma transferência sem precedentes do poder econômico e da riqueza relativa do Ocidente para o Oriente nos próximos anos. O que isso representa para o mundo?
3) Alemanha e França tentam, a todo custo, salvar a zona do euro, embora não estejam em perfeito acordo sobre a salvação da Grécia. E quando outro país, talvez Portugal ou Itália, cair, como será? O que serve para a Grécia aplica-se a outro? Em que medida a crise europeia se alastrará pelo globo? (Acompanhem este artigo de Paul Krugman)

Com estes três pontos, torna-se inevitável a pergunta, baseada em afirmação categórica de Philip Zelikow, em artigo para o Financial Times, no mês de agosto: é o fim de uma era global? Para Zelikow, as políticas externas se converteriam em ajustes das políticas domésticas, não só nas grandes potências, como também nas potências emergentes. Notem os exemplos: os Estados Unidos deixarão o Iraque em definitivo, a China se diz preocupada com o desenvolvimento socioeconômico interno e a Europa lida com uma crise interna. Qual a margem para a atuação internacional dos países?

Certamente, ao contrário do que prevê Zelikow, não é o fim de uma era global, mas um período de mudanças significativas. A democracia, como é sabido, não chegou pelas bombas no Iraque. Matar Saddam Hussein, e agora Muamar Kadafi, está longe de ser um sinal de novos tempos de bonança. Retirar as tropas em um país que vive surtos de estabilidade e segurança, desarrumado após sete anos de guerra, pode significar a eclosão de conflitos étnicos e religiosos. Isso para não dizer sobre a projeção estratégica do Irã no país, que já detém forte influência sobre as forças policiais iraquianas e a população xiita. Aliás, em grande medida, a não-intervenção na Síria deve-se ao temor aos iranianos no Oriente Médio. Experimentem as grandes potências bagunçar mais um país para ver onde a região vai parar. Os Estados Unidos dizem adeus, o Irã, olá. (Vejam a análise de George Frideman)

A China também diz oi, o que não é novidade para ninguém. Mas seria ilusório acreditar que a inserção internacional chinesa é pacífica e que serve ao propósito exclusivo do desenvolvimento interno. A verdade é que a China ainda não foi testada para saber até onde vai seu pacifismo. Com uma estimativa diminuída do crescimento econômico e a escassez de recursos vitais ao seu desenvolvimento, é que o mundo conhecerá o que o país realmente quer. Os Estados Unidos dizem cada vez mais olá para a China e, no próprio artigo que Hillary Clinton escreveu para a Foreign Policy, consta que será a opção estratégica norte-americana para o século XXI. Nas palavras de Clinton, “The Asia-Pacific has become a key driver of global politics”.

Muita coisa está para acontecer. Por enquanto, cabe a nós, analistas e aficionados em relações internacionais, debater quem entra e quem sai do palco principal da política mundial.


Categorias: Economia, Estados Unidos, Europa, Oriente Médio e Mundo Islâmico, Política e Política Externa


1 comments
Anonymous
Anonymous

Maravilhosa analise. É a nova realidade deste novo século.Temos que conscientizar dos novos rumos da economia e politica moderna.