What about Lula?

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O jornal “A Cidade” promoveu em seu portal uma enquete: qual é o futuro político do presidente Lula? 47% do total de votos acha que ele deve ocupar um cargo em algum organismo internacional; 38%, que ele vai voltar a disputar a Presidência da República; 12%, que ele vai se aposentar; e 3%, que ele vai trabalhar em alguma ONG.

Depois de, nos bastidores, ser questionado sobre uma possível candidatura à secretário-geral da ONU, Lula descartou uma ação no partido ou no novo governo, afirmando, porém, que pretende usar sua experiência no governo para trabalhar pela integração dos países da América Latina e da África. Lula chegou a ser cogitado como sucessor natural de Néstor Kirchner como secretário-geral da Unasul, tendo inclusive recebido publicamente apoio de Fernando Lugo. Descartou essa possibilidade também.

Então, o que resta ao presidente que “nunca antes, na história desse país, o Brasil teve”? O que será do Lula quando ele acordar no dia 2 de janeiro de 2011 em São Bernardo do Campo?

Especula-se que o presidente iria “descansar durante o mês de Janeiro”. Depois disso, Lula criaria um novo instituto, no Brasil, com fins humanitários. Nas Nações Unidas, segundo consta, teria recebido propostas de coordenar com Angela Merkel um novo plano para combate ao aquecimento global. Também Lula já se propôs a articular uma reforma política com outros partidos e em parceria com ex-presidentes.

Num futuro mais longínquo, poderia suceder Dilma – caso o governo dê com os burros n’água -, presidir o Corinthians, ou apenas tomar umas cervejinhas por aí na praia.

Ao assumir a presidência em 2002, uma das preocupações de analistas com o seu governo seriam os rumos da política externa, e sua própria figura como representante do Brasil perante os outros países. Ao contrário do que os temores poderiam confirmar, os objetivos brasileiros no cenário internacional cresceram junto com a retórica utilizada, de não-alinhamento, integração regional, multiculturalismo e liderança regional.

Muito de tudo isso não passou de retórica. Que me perdoe Chico Buarque, que exaltou o fato de “com Lula o Brasil não fala fino com Washington nem grosso com a Bolívia”. Falar fino ou grosso não passa disso: falar. Não quer dizer que somos “mais iguais” que nenhum dos dois lados. De qualquer forma, a habilidade política de Lula é notória e poderia ajudar na coordenação de importantes projetos no cenário internacional.

Resta-nos torcer para que o seu insistente repertório de opiniões sobre todos os assuntos não encubra o novo governo, e que ele não se engaje no projeto de governar o Brasil até sua morte, como fez Getúlio, figura com a qual ele insiste em se comparar.


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