Visão 2020

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Quando se fala sobre Ruanda, inevitavelmente a primeira lembrança que nos vem à tona é a do genocídio ocorrido no país em 1994, o qual marcou tristemente a década pela brutalidade dos atos cometidos de uma luta étnica que beira o inexplicável, o inenarrável.

Às vésperas de completarmos 20 anos desse triste marco histórico, a verdade é que Ruanda busca se reerguer e alcançar o desenvolvimento nacional para ser lembrada de outra forma, recriando a história de um povo que luta para crescer e arquivar em um passado (cada vez mais) distante a violência e o desgaste causado pelo genocídio.

No ano 2000, o governo lançou o projeto “Visão 2020”, cuja principal meta é viabilizar a transformação do país em uma economia baseada em tecnologia, espelhando-se no exemplo asiático de Cingapura. O projeto “Um laptop por criança” inclui-se neste contexto, iniciado há cinco anos pelo governo com o apoio de Organizações Não-Governamentais, e impactando hoje aproximadas 400 escolas do país (foto). Aproximar a tecnologia ao processo de aprendizado infantil é uma meta ousada, mas que certamente renderá frutos para muito além de 2020.

Visualizar a forma como esse processo está alcançando Ruanda reflete claramente os benefícios e as facilidades da era das telecomunicações em que as ferramentas existentes podem (e devem) ser utilizadas para beneficiar as sociedades.

Para uma sociedade ainda predominantemente rural, o processo começa na base. Avaliar o impacto das novas tecnologias e pensar em como “urbanizar” o país de forma sustentável, aliando esse processo ao esperado crescimento econômico e à melhora nas condições sociais da população é um objetivo amplo, mas de extrema importância e que os ruandeses almejam atingir gradualmente.

No curto prazo, o plano visa à promoção da estabilidade econômica e à redução da dependência de ajuda externa; no médio prazo, espera-se transformar a economia agrária em uma economia baseada em conhecimento (“knowledge-based economy”); e, por fim, para o longo prazo o objetivo é de apoiar uma classe média produtiva, incentivando o empreendedorismo. [Confira a íntegra do plano aqui.]

Os desafios são muitos e existem não apenas em Ruanda, mas em todo o continente africano, com cada país vivendo momentos distintos de desenvolvimento social, com maior ou menor dependência de ajuda externa nos dias atuais. Fato é que o programa em questão representa uma estratégia interessante do governo ruandês, inspirado por uma visão estratégica de longo prazo, possibilitando que Ruanda se destaque nas manchetes internacionais por razões muito distintas daquelas dos idos de 1994 que nunca deveriam ter ocorrido… 


Categorias: África, Assistência Humanitária, Direitos Humanos


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