Virando a página: O Brasil tem uma nova presidente

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Ano novo, vida nova. A frase ganha ainda maior sentido para os brasileiros nesse 1º de janeiro. Dilma Rousseff enfim toma posse e poderá “dar cara” a seu governo, saindo da sombra de Lula. Em certa medida, a presidente enfrentará um desafio semelhante ao de Obama. Há uma grande expectativa tal qual houve na posse do presidente americano, mas que no caso de Dilma não reside na esperança do “fato novo” e sim na expectativa de continuidade do caminho traçado e, em muitos sentidos, brilhantemente executado por seu antecessor.  

Contra fatos não há argumentos. O Brasil de 2011 em relação ao de 2003, viu o desemprego cair pela metade, o salário mínimo mais que dobrar, o número de beneficiários dos programas sociais quadruplicar, o mercado interno ser fortalecido e uma política econômica pragmática gerar maior estabilidade. Além de tudo, caiu uma barreira que pairava sobre os brasileiros, trazendo consigo memórias dos tempos de crise, me refiro à quitação da dívida junto ao Fundo Monetário Internacional. Talvez seja o marco simbólico da virada de página, em termos econômicos, que o Brasil vive na atualidade.  

Dilma já fez história. É a primeira mulher a ser eleita como presidente da República em nosso país. Segue uma crescente tendência regional, talvez mesmo mundial, de líderes políticas e expoentes da sociedade civil que ganham cada vez mais evidência. The Economist compara a posse da presidente como uma passagem de bastão em uma corrida de revezamento, na qual a mesma recebe o bastão com boa vantagem sobre o rival mais próximo. Justa ou não, cabe a Dilma mudar a percepção de muitos, que a identificam como outsider da política e navegadora da onda de popularidade de Lula. Resta a ela talhar seu já conquistado lugar na história. 

Parte da virtude de Lula foi sua incrível habilidade política. Sob sua tutela, vimos um Executivo com maior controle sobre o Legislativo e a base aliada; um líder que tinha abertura para dialogar de igual para igual com as maiores potências; e um país capaz de mediar temas sensíveis em nome da comunidade internacional. Por outro lado, toda negociação política exige contrapartidas, pelas quais alianças espúrias e conchavos políticos tiveram eminência. Por fim, cabe destacar a popularidade e capacidade comunicativa do governo Lula, até o ponto que foi difícil a oposição de posicionar como tal sem perder capital eleitoral. Os feitos talvez tenham sido amplificados, contudo são inegáveis os méritos do agora ex-presidente.  

Viremos à página. A Dilma não é Lula, chega a ser injusto pautar seu governo no anterior. Isso, no entanto, deve acontecer e acompanhar o dia-dia da presidente. Prova disso é a recorrente pergunta: será que o Lula volta em 2015? Trazendo para o campo da política externa, Dilma recentemente condenou a posição brasileira em relação aos Direitos Humanos no Irã. Seria uma sinalização de alteração em algumas temáticas no campo internacional? Acredito que pequenos ajustes poderão dar a “cara” ao novo governo, distanciando-se de uma política mais personalista e emocional de Lula. Afinal, Dilma pode trazer um pragmatismo e linearidade que por vezes faltou a Lula. Por que, por exemplo, não “intervir” em relação aos Direitos Humanos no Irã, mas defender ativamente a democracia em Honduras? Serão muitos os desafios e expectativas para o governo que toma posse hoje, tarefa que pode ser definida nas pequenas coisas. 


Categorias: Brasil, Política e Política Externa


1 comments
Bianca Fadel
Bianca Fadel

Realmente, acredito que o novo governo chega repleto de expectativas acerca do posicionamento de Dilma sem a presença (pelo menos direta) de Lula. Em muitos sentidos, a continuidade deverá ser perceptível, mas talvez o imprevisível seja exatamente o diferencial que seu governo trará para justificar (quem sabe?) uma possível futura reeleição.Resta-nos aguardar o desenvolvimento de suas ações para que as análises se pautem, daqui pra frente, em fatos concretos e não apenas em especulações, como tem sido recorrente na mídia desde que ela foi eleita presidente. Que o fato de Dilma ser a primeira mulher a ocupar este cargo possa também contribuir para que cada vez mais diminua (e venha a desaparecer) o preconceito (por vezes tácito) contra mulheres ainda existente em tantas áreas de atuação hoje em dia.Parabéns pelo post e que tenhamos todos um excelente ano de 2011! =)Beijos!