Viajar é preciso…

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Fim de feriado prolongado, muitos estão voltando de viagem. E o que pode ser mais “internacional” que viajar pra fora do país? É normal que governantes passem algum tempo no exterior. Claro, sem exageros como o rei Ricardo III da Inglaterra, o Coração de Leão (que morava na França e nem inglês falava). No Brasil, lembro da época em que havia até um quadro humorístico com uma sátira, o presidente “Viajando Henrique Cardoso”. Lula não ficou muito atrás, e passou quase 500 dias fora do Brasil em seus dois mandatos. Agora, é a vez de Dilma, que já tem ao menos 8 viagens programadas para 2011. Os assuntos variam, de construir um telescópio a abrir a Assembleia Geral da ONU, mas o teor e o destino dessas visitas podem dizer muito sobre os rumos que o país vai tomar no seu mandato.

Até o momento, é meio complicado avaliar as grandes “diferenças” na política externa de Lula e Dilma. A grande mudança até agora foi com relação aos Direitos Humanos (tema em que Dilma parece ser bem mais aguerrida que Lula). Agora, se essas viagens de 2011 podem dizer alguma coisa, é uma possível mudança no foco de como o país conduz seus negócios. Sim, negócios – eles estavam presentes nas visitas de Lula, em maior ou menor grau, mas ainda prevalecia uma noção bastante política, de aproximação com países periféricos e busca de novos parceiros.

Ao que parece, os objetivos de Dilma são mais pragmáticos nessa esfera econômica – literalmente, o Brasil estaria indo atrás de resultados, relacionamentos mais “estáveis” e que tragam algo em troca, especialmente para a balança comercial. Se vai dar certo ou não, é outra história, mas fora uma possível visita sentimental à Bulgária, terra de sua família, todas as demais tem em vista algum objetivo mais concreto, político ou econômico. Isso é bem diferente de muitas das visitas de Lula, feitas mais para divulgar a imagem do país e “fazer amigos” – o que colocava o presidente em algumas saias-justas perto de ditadores e afins.

Por fim, merece atenção o esforço de visitar os países menores dos Mercosul, Paraguai e Uruguai – será que o bloco vai ser uma prioridade em seu governo? Fica o indício.


Categorias: Américas, Brasil, Política e Política Externa


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