Vejam só…

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Lembram de quando o Osama morreu? (Ok, é apenas uma pergunta retórica…) Uma das conseqüências previstas seria uma explosão nacionalista dos norte-americanos que viria junto de uma alta sensacional na popularidade do presidente Obama. Dito e feito. Esse exemplo mostra como algumas conjunturas internacionais afetam o cenário interno, e isso pode estar acontecendo um pouco na França.

Quem acompanha o blog sabe que o presidente francês andou cometendo uns deslizes e com umas dores de cabeça bem desagradáveis, dentro e fora de casa. Crise política e baixa popularidade colocam em xeque sua administração e comprometem sua reeleição. Contudo, dois fatos dessa semana podem dar um novo fôlego a Sarkozy.

Primeiro, a tão comentada detenção do diretor-geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn, nos EUA, por acusação de abuso sexual. Não bastasse ser o chefe de um dos organismos mais importantes do mundo, é também o favorito para as próximas eleições presidenciais na França, pelo partido socialista. Ao menos, era, pois as graves acusações – mesmo que eventualmente seja inocente, o que parece improvável dada sua folha corrida – e sua detenção certamente vão ter seu preço perante a ouriçada opinião púbica francesa. Mas esse é apenas um alívio em longo prazo para Sarkozy.

Muito mais interessante para o presidente deve ter sido o anúncio do mandado de prisão contra o ditador líbio Kadaffi emitido pelo promotor do Tribunal Penal Internacional, Luis Moreno Ocampo. Com isso, o ditador líbio vai fazer companhia ao até então solitário Omar Al-Bashir no rol de chefes de Estado com mandados de prisão contra eles. Se vai ser preso, é outra história – o sudanês anda pra lá e pra cá e nunca foi incomodado, quanto mais Kadaffi, que deve estar entocado em algum buraco.

Contudo, a França é o país que mais se esforçou e mostrou interesse na intervenção, e Sarkozy estava sendo muito criticado pela falta de resultados (e pela própria operação em si). Com a prova de que Kadaffi teria atacado civis deliberadamente e violado direitos humanos, uma “chancela” de um importante organismo internacional, a intervenção, mesmo que alvo de muitas críticas e contradições, tem um aspecto de justificação e mais uma vez diminui o peso das críticas sobre as costas do governo francês.

Parece que é a vez de Sarkozy contar com a sorte.


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