União Europeia: o que vem pela frente?

Por

Há tempos em que tento escrever alguma coisa sobre a União Europeia (UE), mas as ideias nunca vão para o papel (ou para o blog, né, melhor dizendo). E até o presente momento não sei por onde começar e nem para onde ir, exatamente idêntico ao futuro do bloco. Sem rumo e sem futuro, talvez. Talvez, sim, porque começo este texto já dizendo: acredito piamente na UE e todos os outros processos de integração regional deveriam fazer o mesmo. 

Vamos por partes. Falarão que a Europa está falida, esburacada, sem pé nem cabeça. E isso é verdade…em partes. Em partes porque mesmo com a crise do euro e os altos índices de desemprego que, atualmente, estão na casa dos 10%, a região mantem-se unida, e o melhor exemplo disso é a anulação de qualquer desmembramento da UE. Muito pelo contrário, ela continuou a aderir novos membros. Croácia, Macedônia, Islândia e Turquia estão em processo de negociação, esta última é um caso à parte, mas o restante entrará na organização num futuro bem próximo. 

Falarão que qualquer bloco regional admite novos membros. Não é verdade, entretanto, isso é um fator crucial para qualquer processo de integração. Tiro este pensamento de um texto que li recentemente, de autoria de Philippe Schmitter, professor emérito do Instituto Universitário Europeu. Não é meu intuito ter um pensamento reducionista, contudo, tal autor detém umas ideias excelentes, embora seja, às vezes, um pouco eurocêntrico, chegando a afirmar que a única integração regional existe na Europa e, no restante do mundo, há somente cooperação regional. Inclusive, discordo totalmente desta afirmação, mas voltemos ao foco do texto. 

Falarão que a UE está chegando ao fim porque não existe mais identidade entre seus membros. E desde quando integração reside somente em identidade? Ela é fruto muito mais de interesses do que qualquer outra coisa. Se tomarmos teorias de integração regional, por exemplo, o Intergovernamentalismo neoliberal, ou até mesmo o Neofuncionalismo, veremos que o interesse do Estado e de outros atores não centrais está presente no cerne da questão. 

Falarão que a Alemanha e a França “mandam” na Europa. Não existe um único bloco regional no mundo em que todos os membros possuem igualdade econômica. Por isso mesmo, membros menos desenvolvidos almejam a integração para poder cooperar e arrecadar fundos para sustentar suas economias internas e, com isso, aumentar seus poderes de barganha. Mesmo assim, a liderança intra-bloco é extremamente necessária. Vão dizer que os Estados Unidos e o Brasil não fazem ou fizeram isso no NAFTA e no MERCOSUL, respectivamente? 

Falarão que a UE não conseguiu sustentar a formação de um órgão supranacional e que foi afetada por forças externas. E qual é o bloco regional que não sofre alterações e pressões vindas de fora? A Europa conseguiu fazer frente aos Estados Unidos e ao Japão na década de 1990 e, neste momento, nem sequer era fonte de crítica por parte da comunidade internacional. Somente agora, com a crise de sua moeda, as vozes voltaram-se contra o criador. 

Falarão, novamente, que a região está acabada e imersa em conflitos. Mas isso é da natureza de qualquer bloco regional. Ele é firmado, sim, num processo de construção da cooperação e da paz, contudo, os conflitos são possíveis e sempre acontecem. Neste caso, a crise econômica tomou o corpo de tudo e vem levando na mão o peso da união monetária. E falarão que a UE nunca imaginou passar por tamanhos problemas e concordo plenamente com isso. Só que devemos ter em mente que qualquer bloco regional não é um produto em si, somente um processo. Processo, este, que não sabemos para onde vai e nem que fim terá. Tomara que a UE não tenha fim, pois se eu fosse qualquer país ou governante que estivesse num bloco regional, teria meus receios de ver como está a Europa e como estaria a minha região em qualquer momento futuro. 

Acreditemos, pois, na reestruturação e na sobrevivência dos atuais 27 membros da União Europeia! Mesmo que seja por uma questão de fé ou de razão, em inúmeros casos, acordos e instituições, a Europa ainda deve ser tomada como exemplo. Por seus acertos e, principalmente, por seus erros. É assim que confio em uma nova UE, para não cometer as mesmas ignorâncias que realizou nos últimos anos. Mas isso é papo para outra conversa…


Categorias: Europa, Organizações Internacionais, Polêmica


1 comments
Anonymous
Anonymous

Há dez anos, em 1º de janeiro de 2002, entrou oficialmente em circulação o euro, a moeda única corrente em países que compõem a União Europeia (UE). O lastro monetário simbolizava a integração do continente que, no século 20, enfrentou duas guerras mundiais e uma divisão ideológica que quase provocou uma terceira.A Eurozona é composta por 17 dos 27 Estados-membros da UE: Alemanha, Áustria, Bélgica, Chipre, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Malta, Países Baixos e Portugal. A moeda é usada diariamente por 332 milhões de europeus. O euro também é a segunda maior reserva monetária internacional e a segunda maior comercial, atrás somente do dólar americano.A moeda que passou a ser usada pelos europeus, há uma década já era corrente entre os mercados financeiros desde 1999. Nesse ano, os governos aboliram moedas locais nas transações comerciais entre países. O objetivo era unir mais as nações e gerar mais desenvolvimento econômico.Apesar disso, a Europa enfrenta desde 2009 uma crise de débito que ameaça a estabilidade do bloco, obrigando os governos a fazerem reformas impopulares que já derrubaram nove líderes político nos últimos três anos. Em países como Grécia, Espanha, Portugal e Irlanda, a dívida pública e o déficit no orçamento ultrapassam em muito os limites estabelecidos para a Eurozona.Compare preços de Hotéis e Pousadas Leia avaliações antes de reservar!TripAdvisor.com.br/Hoteis