Uma dupla do barulho

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[Pessoal, novamente não vai ser neste fim de semana que nosso podcast vai sair. O site mypodcast.com, que serviria de servidor para nós, está em manutenção há duas semanas. Então, vai ficar pra semana que vem…]

Como todos sabem, o Lula esteve com o Obama ontem. Pra não ficar chovendo no molhado, vamos comentar alguns pontos relevantes:

“O presidente Obama e eu estamos convencidos (ele gosta dessa de convencidos…) de que essa crise pode ser resolvida com decisões políticas no próximo G-20″ (Lula)

E aí? o que acharam? Eu, sinceramente, acho que faz um pouco de sentido. Na teoria, o fórum que reune as 20 maiores economias do mundo hoje pode, sim, fazer alguma coisa. Mas na prática a gente sabe que as coisas são muito diferentes. Há muitas divergências quanto a como essa crise deve ser resolvida, e isso, obviamente, tem conseqüências sobre qualquer decisão de um órgão multilateral.

Isso já pode ser visto na abordagem que se deu à crise na reunião de ministros do G-20, que ocorreu ontem também. Os EUA defenderam a intervenção maior do Estado (há oito meses isso seria um absurdo…); os BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) já disseram que não vão mais dar dinheiro pro FMI. E a decisão final qual foi? Os países devem dar mais aportes de dinheiro ao Fundo Monetário Internacional. Por aí já se vê…

Além disso, o Brasil quer primeiro reformar o FMI pra depois colocar dinheiro. O Sardenberg usou uma figura importante pra ilustrar isso: “não adianta pedir pro doente na UTI parar de fumar”. Eu concordo. O FMI tem de responder logo. Se eles não se entendem nem do jeito que está, imagine quanto tempo levaria para uma reforma….

Biocombustíveis

Mais uma vez, o etanol foi tema das conversas. Gente, não adianta querer reclamar, os EUA não vão abrir as fronteiras comerciais para o etanol, ainda mais agora em um momento de crise. Eles já estão investindo pesado em fazer o combustível deles. E a razão disso é muito simples: alguém realmente acha que os EUA vão querer se tornar dependentes em energia de um país subdesenvolvido? Segurança energética é coisa séria, e eles já sofrem na mão da Venezuela e não vão tomar qualquer decisão que os possa colocar em uma posição vulnerável, por menor que seja, com relação a um país como o Brasil.

Protecionismo e Doha

Mais uma vez o Brasil insiste na Furada de Doha. Eu já disse isso uma vez: até o mendigo da rua sabia que essa rodada não ia dar em nada. Durante o governo Lula, nosso país não fechou nenhum acordo comercial com quem quer que seja, e isso é grave. O que o Lula ouviu do Obama foi isso, que as medidas que eles estão tomando não contrariarão nenhum acordo internacional. Se o Brasil tivesse algum não teria do que reclamar.

Isso não significa aceitar qualquer coisa que eles quisessem, mas o Brasil se fechou para toda e qualquer forma de diálogo, só aceitava Doha. E o pior, ainda insiste nisso, nosso ministro Amorim já disse que até o fim do ano a rodada vai se encerrar. Pode ser que esteja certo, mas pra mim mostra a total falta de estratégia comercial do Itamaraty.

Encontro Histórico

Não há como negar. O encontro de Lula e Obama foi histórico. A eleição dos dois teve um peso muito grande para os dois países, e o nosso presidente foi o primeiro a ser recebido por Obama (antes ele tinha recebido dois primeiros-ministros).

É isso pessoal, claro que teríamos muitas coisas mais pra falar, mas preferimos pegar nos pontos mais fortes.

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