Uma curiosa corrida presidencial

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O sistema eleitoral dos Estados Unidos guarda particularidades interessantes. O presidente é eleito por meio de um colégio eleitoral, o qual é escolhido em cada estado do país através do voto popular. O número de delegados é diretamente proporcional à população, sendo a orientação para o voto do colégio eleitoral, na maioria das vezes, pautada no princípio “o vencedor leva tudo”. Assim, uma pequena margem no voto popular significa, com duas exceções (Nebraska e Maine), a totalidade dos delegados na conta do vencedor. Nada de proporcionalidade.

Outra característica é concentração do debate entre dois grandes partidos, o democrata e o republicano, apesar da possibilidade de candidatos independentes também concorrerem. A definição dos candidatos é fruto de um longo processo de primárias, passando pelos estados para debates de propostas e atingindo, talvez, seu ápice nas convenções partidárias. Em 2008 viu-se um cenário acirrado, ambos os partidos travaram primárias pelo direito de concorrer ao posto deixado por George W. Bush. Desta vez, contudo, já há um candidato esperando seu oponente, numa espécie de pole position, ao mesmo tempo em que tenta governar.

Faltando menos de dois meses para o início das primárias republicanas, opositores do presidente Obama, a instabilidade reina soberana na medida em que a popularidade dos pré-candidatos sobe e desce, somado ao surgimento de novas figuras na disputa e à desistência de protagonistas. Na última eleição, enquanto Hillary Clinton e Barack Obama monopolizavam a disputa de um lado, os republicanos viram uma contenda entre três figuras centrais: Mike Huckabee (ex-governador do Arkansas), Mitt Romney (ex-governador do Massachusetts) e Johh McCain (senador).

As primárias funcionam como um teste dos candidatos e oferecem a possibilidade de unificar as diversas correntes dos partidos em torno de uma candidatura, ainda que resistências tendam a perseguir. Neste ano há outro fator importante no acirramento da ala conservadora republicana. Mesmo que não veja seus expoentes como candidato, como no exemplo de Sarah Pallin, representa uma parcela do eleitorado que deverá ser agradada de alguma forma pelos que desejam ganhar a indicação republicana. Mesmo nas primárias, é inevitável a troca de argumentos fortes, um fogo amigo que nem sempre consegue ser superado. Neste sentido, demonstrar unidade, no caso do partido republicano, não será tarefa das mais fáceis.

Alguns nomes despontam como favoritos na corrida pela nomeação. Entre eles, figuras conhecidas, como Mitt Romney; outros advindos de correntes tradicionais do partido, como Rick Perry (sucessor de Bush no governo do Texas); além de figuras ascendentes, como Herman Cain. Outros ainda contam com vitórias nas primárias do mês de janeiro para ganhar força e seguir na disputa até o final, como Michele Bachmann. A disputa está só no início. Enquanto isso, confortável, mas não tanto, estará Obama em sua pole position, assistindo quem sobreviverá nessa disputa e disputará cada curva com ele. Tudo indica que os chamados “swing states” serão novamente decisivos.

Reveja o mapa da eleição de 2008.


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