Uma boa semana

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Existe esperança no Oriente Médio? Apesar da matança de sempre na Síria e de problemas no Líbano, essa semana teve umas boas surpresas, todas relacionadas à Turquia, aquele que é considerado por muitos como o mais importante ator regional por estar ligado a quase todas as crises de lá. 

Primeiro, após décadas de atividade, o PKK (grupo curdo que pratica atos violentos como atentados e sequestros em retaliação a repressão cultural e pela formação de um Estado próprio) parece dar sinais de abertura à negociação, em carta direta do seu fundador ao governo turco. Sinais de reconciliação, como soltura de reféns e flexibilização de proibições estão aparecendo. Segundo, após intermediação do Mr. Obama, Israel finalmente pediu desculpas pelo absurdo do ataque à flotilha humanitária de 2010 e parece estar em vias de reatar relações com seu maior aliado na região até aquele dia fatídico. 

Isso é muito importante pelo papel da Turquia. O país está envolvido em problemas, com ocupação no Chipre (fazendo por lá basicamente o que Israel faz na Cisjordânia), grande influência na questão da Síria (apoiando grupos mais radicais e fazendo vista grossa a outros) e até essa semana pesava o seu mau tratamento aos curdos e o rompimento com Israel. A situação curda ainda não tem solução em curto prazo, mas a possibilidade de negociação é um alento para os dois lados. E retomando o diálogo com Israel, a Turquia também volta à cena como melhor negociadora para a solução da crise palestina, como estava fazendo antes de 2010. 

Nos últimos anos, parecia que a ação da Turquia estava tendendo à radicalização. Com esses pequenos passos, se vê que ainda é um aliado necessário para os países ocidentais, e a importância do país como um polo de estabilidade regional.


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