Um novo começo para Obama?

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Quanto mais aproximamo-nos das festividades de fim de ano, mais a atividade política estadunidense intensifica-se. Esses últimos dias são o período chamado de “pato manco” (tradução do inglês: lame duck), no qual são buscadas as aprovações das últimas pendências do ano para o Congresso. O presidente Obama que, apesar da aprovação de seu novo plano para a saúde e de alguns modestos cortes de impostos, não obteve melhores resultados no combate à crise econômica tem buscado maneiras criativas de driblar a âncora da impopularidade à qual tem sido exposto.

Restaram-lhe poucas opções para que saboreasse um agradável fim de ano. A aprovação de alguns projetos que representassem um pouco do “yes, we can” de sua campanha talvez fosse interessante. E eis que Obama obteve algumas vitórias bastante emblemáticas garantindo, a seu pato manco, boa posição nessa longa maratona política. Dentre as medidas aprovadas, o campo da defesa nacional e da segurança foi o mais privilegiado na agenda.

A primeira suposta vitória foi o “sim, nós podemos acabar com o preconceito”. Discussões aparentemente infindáveis sobre a política adotada para os homossexuais nas forças armadas, o “Don’t ask, don’t tell” – a garantia do silêncio se esses desejassem continuar a servir a defesa nacional (para mais sobre isso no blog, clique aqui) – atingiram um final com a revogação dessa política. Ainda há a necessidade de alguns dias para averiguar se essa medida foi benéfica para maior unificação das forças armadas e, somente então, haverá maior liberdade aos homossexuais.

A outra foi o encaminhamento da ratificação do novo tratado START (para mais sobre o assunto no blog, clique aqui) de redução de ogivas nucleares com a Rússia. O que antes era tido como vitória dos democratas, passou a impasse dos republicanos. Meses de incerteza transformaram-se em um sentimento de “ruim com ele, pior sem ele”, e muitos republicanos aderiram à ratificação. As reservas ao tratado variam entre o grau da fiscalização e os armamentos incluídos nessa redução.

Com ou sem essas supostas vitórias no Congresso, o presidente estadunidense ainda se encontra em situação delicada. Contudo, uma pergunta ainda paira no ar ao final desse ano: seria esse um novo começo para Obama? Em âmbito internacional há o entendimento de que a mudança jamais chegou aos Estados Unidos e que não passou de retórica política. No plano interno, a acentuada crise e os elevados níveis de desemprego ainda representam um grande desafio.

Apesar de a defesa nacional ser uma questão mais popular nos EUA que no Brasil, Obama terá de trabalhar muito no próximo ano se ainda vê a reeleição como resolução de Ano Novo. Nesse caso, por enquanto a resposta é muito mais para o não do que para o sim. Mas, em se tratando de política, resta esperar para ver.


Categorias: Estados Unidos, Política e Política Externa


1 comments
Mário Machado
Mário Machado

Ocorreu o esperado ele precisava agradar os ultra-liberais da soon to be ex-Speaker Nancy Pelosi e leitores do famoso portal da Arianna Huffington (dias atrás vocês linkaram bons artigos do portal), mas para isso ele precisava dos republicanos então fez o seu partido engolir seco a manutenção do "Bush tax cuts". No START ele usou a dificuldade dos republicanos contradizerem os generais. O homem mostra que é político afinal. Não dá pra viver de imagem. As derrotas podem ter o colocado no rumo.. Bom assim eu vejo.Abraços e votos de feliz natal (quem não for cristão que seja tolerante) e feliz ano novo.