Um mundo em lotação: os Adams vêm aí!

Por

Já apresentamos a situação do mundo na atualidade e os possíveis desdobramentos críticos para o futuro. Se, por si mesmo, os dados apresentados em outros posts chamam muito a atenção, imaginem quando adicionamos o crescimento populacional. Inevitavelmente, despertamos mais inquietações. Os Adams vêm aí… Pandandandan!

São sete bilhões de pessoas no mundo. Por vezes, uma família estranha, que a surpresa é tamanha, cheia de artimanhas, parecida de outro mundo, mas com amor profundo e sem parar um segundo. Sim, os Adams vêm aí! Este jingle, por certo, é uma representação simples, e muito boa, da humanidade vivendo em um planeta lotado, neste século XXI.

Ora, vejamos, inicialmente, por que o crescimento populacional é surpreendente, embora não destoe inteiramente das estimativas feitas. De acordo com os dados oficiais da Divisão de População do Departamento de Economia e Assuntos Sociais das Nações Unidas: “O rápido crescimento da população mundial é fenômeno recente. Há cerca de 2.000 anos, a população mundial era de cerca de 300 milhões. Foram necessários mais de 1.600 anos para que ela duplicasse para 600 milhões. O rápido crescimento da população mundial teve início em 1950, com reduções de mortalidade nas regiões menos desenvolvidas, o que resultou numa população estimada em 6,1 bilhões no ano de 2000, quase duas vezes e meia a população de 1950. Com o declínio da fecundidade na maior parte do mundo, a taxa de crescimento global da população tem decrescido desde seu pico de 2,0%, observado no quinquênio 1965-1970.”

Se isso já é surpreendente, vejamos os cenários futuros que advêm da chegada dos Adams ao mundo: 1) se a taxa de fecundidade se manter no atual patamar, em torno de 2,5, a população mundial chegará a 15 bilhões de habitantes em 2100; 2) se a taxa de fecundidade decrescer para 2,0, então, haverá 10,1 bilhões de habitantes; 3) se a taxa de fecundidade reduzir drasticamente para 1,6, então, a população mundial poderá diminuir para 6,2 bilhões de habitantes. O cenário mais realista é o segundo, e o terceiro é pouco provável: a diminuição da população só aconteceu em momentos de grandes calamidades, particularmente doenças, como a peste bubônica e a gripe espanhola na Europa. A não ser que o filme Contágio se converta em realidade, a população não deve diminuir, mas seu crescimento pode desacelerar.

O relatório do Fundo de Populações das Nações Unidas (UNFPA) sobre a situação da população mundial em 2011 apresenta considerações muito interessantes acerca do significado desses 7 bilhões de habitantes. Simultaneamente, estamos nos tornando uma população mais velha e mais jovem. Isso é paradoxal, mas é o que ocorre. Nos últimos 60 anos, a expectativa de vida saltou de 48 anos, no início da década de 1950, para 68, na primeira década do novo século, e a mortalidade infantil declinou de 133 óbitos para cada 1000 nascimentos, na década de 1950, para 46 em cada 1000, no período de 2005-2010. Pessoas com menos de 25 anos já compõe cerca de 43% da população mundial e, de acordo com uma reportagem do Valor, já nasceu a geração de pessoas que viverá 150 anos.

As pessoas fazem artimanhas para viver: migram em busca de melhores oportunidades ou se envolvem com atividades ilícitas, fazem a paz ou a guerra, sonham ou morrem. Em meio as suas escolhas, há desafios, choques culturais e, também, possibilidades. Na China, por exemplo, além da “política do filho único”, Shangai, com seus 20 milhões de habitantes, adotou a “política do cachorro único”: um Snoop por família. Alguns lugares estão e estarão lotados, outros, seguem e seguirão no esquecimento, como os rincões da África, nos quais predominam o que o geógrafo brasileiro Milton Santos chamou de “tirania das distâncias”, condenados a exclusão. Na China, também, a tentativa de controle populacional provoca choques culturais: há muitos jovens homens morrendo sem se casar. Isso, para a cultura chinesa, é perigoso, pois a vida espiritual é idêntica a vida terrena, e um homem solteiro pode ser um homem infeliz. Então, tornou-se hábito, e até mesmo um negócio, o casamento entre defuntos, mas a quantidade de mulheres é menor do que a de homens.

Poderíamos, neste post, tratar de questões como: os países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos estão crescendo, em termos populacionais, mais rápido que os desenvolvidos, que aqueles ainda não passaram por uma transição demográfica, o problema da mão de obra, entre outras questões. Mas isso acompanhamos diariamente na mídia. O importante, aqui, é tentar pensar na situação em que o mundo se encontra e como essas pessoas, esses Adams que vem aí, vão se inserir nele. Na semana que vem, fecharemos a série sobre o crescimento populacional, com as lições que poderíamos depreender de tudo isso e quais a possibilidades para o futuro.


Categorias: Assistência Humanitária, Direitos Humanos, Polêmica


3 comments
Giovanni Okado
Giovanni Okado

Cara Major Rui, muito obrigado por prestigiar nosso blog e pelo elogio. É sempre muito gratificante e estimulante para todos nós, colaboradores.Um abraço

RMM
RMM

Este comentário foi removido pelo autor.