Um elogio e duas matérias

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Pois bem, eu estava sem ideias para escrever até receber minha Revista “Pesquisa” da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). É um dos melhores periódicos do Brasil, sem dúvida alguma. A FAPESP é referência em pesquisas científicas e acadêmicas e ela tenta passar um pouco do conhecimento produzido em seus projetos nessa revista. Para quem não conhece, fica a dica. É só clicar nesse link aqui

Foi daí que comecei a dar uma lida na edição de Agosto (n. 210) e logo na capa vi o título “A era dos extremos”. Logo pensei na célebre obra de Eric Hobsbawm sobre o seu breve século XX. Abri e vi que o escritor pontuou o livro em questão no primeiro parágrafo e meu interesse aumentou. A matéria é sobre mudanças climáticas aqui no Brasil e atesta que até 2100 a temperatura em todo país aumentará entre 3º a 6ºC. Ainda assim, as chuvas tenderão a aumentar 30% no Sul-Sudeste e diminuir até 40% no Norte-Nordeste. 

O projeto financiado pela fundação tem como título “Brazilian Model of the Global Climate System” e está sob coordenação de Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Bem verdade, representa uma extensa rede de pesquisas nacional. São vários pesquisadores e instituições envolvidas, sendo que se destaca o fato do Brasil ser o único país do hemisfério sul a possuir seu sistema próprio de monitoramento do clima. Para se ter uma breve noção da complexidade disso tudo, foram analisados até o tamanho das gotas de chuva para saber se haverá mais ou menos precipitações. Os dados desse primeiro relatório indicam com maior importância que a temperatura aumentará em todas as latitudes brasileiras. Ou seja, aquela história do aquecimento global ser mito é pura mentira. A reportagem completa pode ser acessada aqui

E não menos importante, já mudando de assunto, essa mesma edição da Revista “Pesquisa” da FAPESP trouxe outra matéria intitulada “Gosto pela Diplomacia”. Como resultado do projeto “Brasil, as Américas e o Mundo – política externa e opinião pública”, coordenado pela Professora Maria Hermínia de Almeida do Instituto de Relações Internacionais (IRI) da USP, fora observado que cada vez mais a política externa brasileira entra no interesse nacional, contrariando a tendência de tempos passados. De fato, brasileiros nunca se interessaram muito por política interna e menos ainda pela externa ou Internacional. 

Fonte: Revista Pesquisa (FAPESP) – n. 210, Agosto/2013

Mas essa constatação mudou nos últimos anos. Além da política externa estar presente no dia-a-dia da população, progressivamente há a negação de que o Itamaraty é “um caso bem sucedido de insulamento burocrático”. A maioria dos entrevistados acredita que o Brasil terá grande peso nas Relações Internacionais daqui pra frente e afirma que aos BRICS pertencerá o futuro. Dos resultados mais surpreendentes destaca-se um: houve um consenso entre a opinião do público em geral e dos especialistas! Será que isso denota uma gradual ruptura no Ministério das Relações Exteriores (MRE) no sentido de que, ao contrário do que muitos imaginavam, a população sabe o que está dizendo sobre nossa política externa? Para a leitura completa da publicação, clique aqui

Ficam aqui registrado meu elogio à FAPESP e minha menção às duas reportagens. Se tiver interesse, leia, pois são muito boas e apresentam uma discussão bem mais profunda e especializada comparado com o que escrevi de forma resumida acima.


Categorias: Brasil, Meio Ambiente, Política e Política Externa


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