Um ano novo, um novo líder?

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2013 será um ano relativamente tranquilo na América Latina, ao menos no campo eleitoral. Enquanto a região garante um crescimento econômico superior aos países desenvolvidos, teremos apenas três eleições presidenciais. No Chile, Michelle Bachelet enfrenta a aliança governista, representada por Laurence Goldborne ou Andrés Allamand, para tentar suceder Piñera, uma vez que o país não prevê a possibilidade de reeleição. Ao passo em que no Paraguai, o partido conservador Colorado tenta retornar ao poder. Por fim, voltamos nossas atenções para o Equador, onde o atual presidente Rafael Correa tenta um segundo mandato.

Na Venezuela não haverá um processo eleitoral, porém a situação continuará delicada com o desenrolar do desenvolvimento médico de Chávez, reeleito em 2012. Esta indefinição, mesmo com a indicação de Maduro com seu sucessor natural, deixa órfão o ideário impulsado sob a alcunha de socialismo do século XXI. Por sorte dos adeptos desta visão de mundo, este vazio é temporário. Tanto existe a possibilidade de um retorno triunfal de Chávez a seu posto de presidente e artífice de um desenvolvimento latino-americano distinto, quanto poderá emergir uma nova liderança.

Afinal, quem poderia ser esta figura alternativa? As características principais: a utilização da receita advinda da exploração de recursos naturais para incrementar os gastos sociais, a aprovação de uma nova Carta Constitucional, críticas ferozes da mídia e uma tentativa de golpe (autodeclarada em um dos casos, vale dizer).  Na ausência de Chávez, a peça-chave para a manutenção do movimento à revolução bolivariana é Rafael Correa. O mandatário equatoriano participa das eleições de fevereiro como favorito absoluto, tanto que pesquisas eleitorais indicam a sua reeleição no primeiro turno.

O cenário político equatoriano não deixa dúvidas do sucesso da fórmula adotada pelo partido Alianza País, representado pelo atual governo. A sua Revolução Cidadã resultou na aprovação de 82% da população da gestão e a credibilidade de sua principal figura atingiu 72%. Para completar, segue a cruzada contra os meios de comunicação, que, na visão governista, prestam um desserviço à sociedade. Em 2012, o presidente Correa conseguiu aprovar uma cláusula na Lei Eleitoral que impede jornalistas e veículos de apoiar diretamente ou indiretamente qualquer candidato. A limitação, em tese, afeta o próprio presidente. Contudo, seguirá a possibilidade da publicidade de projetos e programas governamentais, além de obras públicas. Este mecanismo não valerá para a eleição de 2013, somente para a próxima. 

Somado a tudo isto, cabe ressaltar um último fator. A luta latino-americana, desde seus primórdios, caracteriza-se em parte por uma forte oposição entre o poder econômico e os anseios populares. Por vezes a atenção voltou-se para os agentes econômicos externos, por vezes focou-se nos grandes grupos nacionais. De todas as formas, esta dicotomia ajudou a confirmar as bandeiras políticas que corroboram líderes como Correa. Eis que, como em um filme com final feliz, apresentam-se como seus principais adversários na eleição presidencial um ex-presidentede um dos maiores bancos do país (Banco de Guayaquil) e um ex-presidente da República que foi deposto após maciças demonstrações populares. Para completar, há um multimilionário na disputa.

Nada melhor para Correa, que continuará a brilhar. Ainda mais quando deverá contar com o apoio de dois terços do Congresso.  

Para relembrar outros posts sobre o Equador 12345678

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