Tutti bonna gente

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O premiê italiano Silvio Berlusconi sem dúvidas é uma figuraça. Guardadas as devidas proporções, seu papel na Itália seria mais ou menos como se Silvio Santos virasse presidente do Brasil – um dono de grande conglomerado midiático entrando na vida política, cheio de carisma. Político à moda antiga, como não se fazem mais, bonachão, e até onde se percebe um bagre ensaboado. Segundo Umberto Eco, seria um “zumbi perigoso”. Podem pairar todas as dúvidas e suspeitas, ele tem como se safar, seja de escândalos sexuais a envolvimento com a máfia. Bem, isso pode estar chegando a um fim amanhã, quando serão votadas no Parlamento e Senado italianos moções de apoio e de censura ao primeiro-ministro. Caso haja resultado negativo em algum desses, Berlusconi terá de renunciar – uma das interessantes facetas do sistema parlamentar.

Bem, o que esperar? É impossível prever o resultado, e há quem diga que o futuro de Berlusconi dependerá de um voto. Por seu lado, o premiê solicita que seja dado esse voto de confiança para evitar que os problemas econômicos na Itália aumentem – convenhamos que trocar de primeiro-ministro no meio de uma crise de endividamento não é algo que ajude.

A crise na Itália é uma das piores na Europa, tanto política quanto econômica. Apesar de no momento inicial de crise do Euro, com o problema da Grécia, a Itália ter sido um dos PIIGS com situação menos preocupante (comparando com Irlanda e países ibéricos), o país possui agora uma das maiores dívidas do continente. Por outro lado, politicamente, já se abriram investigações sobre corrupção em seu governo e atritos internos podem levar, mesmo que não perca a cadeira de primeiro-ministro, à perda do controle político de sua coalizão.

Não bastasse isso, Berlusconi ainda teve que aturar os vazamentos do Wikileaks, que revelaram uma interessante relação de admiração mútua, favores e acordos secretos com sua contraparte russa, Vladmir Putin (ao que congressistas exigem explicações).

Bem, as coisas parecem agitadas na Itália. Saindo Berlusconi de cena, abre-se um vácuo de poder que potencializa a crise financeira. Se continuar, enfrentará oposição, desconfiança e o desafio de por o país nos eixos. Mas nada que um boa-vida como Berlusconi não tire de letra – afinal, de farra ele entende.


Categorias: Europa, Política e Política Externa


1 comments
Mário Machado
Mário Machado

O mundo contemporâneo só conhece dois líderes mundiais que parecem poder dizer as mais abjetas besteiras e serem aplaudidos por isso. Lula e Berlusconi. Ainda que o segundo seja muito mais divertido - principalmente por ignorar o politicamente correto.