"Turismo médico"

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[Galera, mais um post internacional! Diretamente da Índia, nosso mais novo ‘correspondente internacional’, o Ivan Boscariol, brinda o blog com um excelente post!


Aliás, acessem o blog de viagem do Ivan, que, por sinal, está fantástico!]

Para quem não sabia, agora sou um colaborador internacional! Esse post vem direto da Índia, é sobre uma questão social que estou lidando aqui na ONG (Satya) que trabalho.

Existe um mercado muito forte que pouco se comenta no Brasil, mas movimenta milhões de dólares no mundo afora: o turismo médico.

Esse “turismo” consiste em viagens internacionais para locais onde a medicina é mais avançada, mais barata, ou ambos. Muitas vezes essa é a única solução para algumas doenças, mesmo com todo o trabalho adicional requerido. Porém, ele também ocorre para procedimentos considerados ilegais nos países de origem dos pacientes…

São conhecidos os “cruzeiros do aborto”, que atravessam a Europa oferecendo a interrupção da gravidez em águas internacionais, onde não existem leis que regem sobre o assunto. Dessa forma, não se comete um crime nem precisa ir à clínicas que mais se assemelham a cenários de filme de terror.

Na Índia o problema principal é o da “barriga de aluguel” (surrogacy, em inglês). Aqui a medicina é bem avançada, com clínicas de alto padrão, e o preço para uma gestação em outra pessoa é UM TERÇO do aplicado no resto do mundo.

Se as clínicas são de alto padrão, o tratamento dado às mulheres que gestarão essas crianças não é. Por causa do estigma social existente na Índia, as mulheres grávidas não casadas são isoladas em casas específicas para esse fim, onde são bem tratadas e observadas, porém, sem poder participar da vida em sociedade.

Para piorar a situação, muitos dos pais que recorrem a esse procedimento não o fazem por infertilidade ou algo semelhante, mas porque não querem ter o “desconforto” de uma gestação completa. Um drive-thru de bebês.

A legislação atual também não contribui. Apenas agora será votado pelo parlamento indiano uma lei que regulamenta essa atividade, visando maior proteção e direitos para as mulheres e maior integridade às clínicas. E essa lei só começou a ser elaborada graças ao caso do “Bebê Manji”, caso de repercussão internacional de uma criança que ficou sem pais após os pais japoneses que encomendaram a criança terem se divorciado. Isso levou a um grande caos, pois simplesmente não existia uma lei ou diretriz que indicasse com quem (ou até mesmo em que país) deveria ficar a criança nesse caso.

Que até agora não teve solução definitiva.


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