Trapalhadas nos mares

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Como o Alcir ainda está sem internet…

[Ainda sem internet e sem previsão de tê-la de volta…]

Quando uma coisa não estava bem explicada, minha avó dizia: nesse angu tem caroço.

E o caroço nesse caso chama-se S300, uma série de mísseis produzidos pela Rússia. Inclusive, quem está por lá é o popstar Hugo Chávez pra comprar alguns desses.

Esses mísseis – veja mais detalhes aqui – são do tipo surface-to-air ou ground-to-air. Isso significa que são projetados para serem disparados de uma superfície do chão ou de algum navio para atingirem algum avião ou objeto voador. São, portanto, mísseis de defesa, partes de sistemas anti-aéreos. Um míssil desse tipo muito dificilmente pode ser usado para ataque, uma vez que necessita de uma plataforma de lançamento e é projetado para atingir alvos no ar, não em terra – neste caso, usam-se mísseis do tipo surface-to-surface ou air-to-surface.

O problema é que o Irã – ele mesmo, que deve apresentar hoje, após negar, um plano para negociar seu programa nuclear – comprou uma leva desse armamento há um tempinho e a Rússia não teve como entregar.

Mas eles arrumaram um jeito ao estilo gambiarra bem brasileira, segundo os rumores. Carregaram um navio chamado Artic Sea com os tais mísseis e o enviaram para o porto da Argélia, onde deveria ter chegado no dia 4 de Agosto. Só não contavam com os piratas, que seqüestraram o navio em 24 de Julho.

Agora vamos aos problemas: A viagem oficialmente foi para o transporte de madeira e não de mísseis, claro. A tripulação fez seu último contato em 28 de julho. Só foi noticiado o seqüestro do navio por um jornalista – que fugiu da Rússia dizendo estar sob ameaças – em 08 de agosto. Ele publicou em uma revista especializada matéria sobre as ‘circunstâncias estranhas’ do desaparecimento do navio.

O pior é que na operação de resgate foram mobilizados três helicópteros. Além do que a carga oficial – madeira – normalmente não é alvo de seqüestradores.

O governo russo evidentemente nega. E diz que vai investigar – o tipo de investigação do Sarney no senado.

E porque não entregar logo os tais mísseis? Simples: eles vão pro Irã, com seu polêmico e cheio de caroços programa nuclear – veja mais sobre ele aqui. Israel e outros também já alardearam o desequilíbrio de forças que as armas trariam. E se ninguém quer que eles tenham armas de ataque, querem muito menos que tenham de defesa…

Pois é. Até pra Rússia pega mal vender armas pro Irã.


Categorias: Política e Política Externa


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