Tragédias e farsas sudanesas…

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Karl Marx já dizia que “A história se repete: a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa”, observação bastante conhecida e que originalmente se referia ao contexto napoleônico da França durante o século XIX. Em um contexto histórico-espacial totalmente diferente, contudo, tal frase parece ainda traduzir os acontecimentos em questão.

Como não acreditar que a história se repete – muitas e muitas vezes, de forma que tragédias e farsas até se confundem – quando analisamos os aspectos notadamente políticos do Sudão? Este país africano tem se destacado nos últimos anos dentro do cenário internacional devido às graves implicações humanitárias da crise em Darfur e à figura, no mínimo emblemática, de Omar Hassan Ahmad al-Bashir.

Após ter sido condenado pelo Tribunal Penal Internacional por crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos na região de Darfur há cerca de um ano, eis que al-Bashir retorna à cena internacional atual de forma ainda polêmica. Mesmo que continue sob ordem de prisão (não podendo deixar o território sudanês, portanto), Omar al-Bashir foi reeleito com quase 70% dos votos válidos no país. Estas foram as primeiras eleições pluripartidárias no Sudão em aproximadamente duas décadas, tal como informou a Comissão Eleitoral. Entretanto, os dois candidatos que disputavam o mesmo cargo com Omar acabaram, acreditem, por se retirar do embate.=”http://www.bbc.co.uk/portugueseafrica/news/story/2009/03/090304_sudanbachiricctl.shtml”>

A falta de credibilidade diretamente relacionada à análise imparcial das circunstâncias eleitorais demonstra que al-Bashir se mantém no poder político local, mesmo sob acusações de fraudes e boicotes durante o pleito. Trata-se do primeiro presidente a ser eleito sob acusações internacionais de crime de guerra, perpetuando-se no poder político do país – cargo que ocupou desde 1989 até a polêmica no ano passado. (Mais informações podem ser acessadas aqui.)

Seja como tragédia ou como farsa, o fato é que a história, pois, se repete no Sudão. Omar al-Bashir assumirá suas funções, apesar de o isolamento do país e do próprio presidente persistirem no cenário internacional; e este país africano seguramente continuará vivenciando seus desafios de sempre, suas fraudes, seus dissabores e, enfim, suas características que traduzem o jogo de interesses em voga na situação…

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