Tragédia de Primeiro Mundo

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Agora que a poeira assentou, parece ser um momento oportuno pra falar sobre a tragédia ocorrida na Noruega. Pra quem não sabe, na semana passada um maluco explodiu um carro-bomba em Oslo e chacinou jovens em um encontro do Partido Trabalhista, totalizando 93 mortes até o momento.

Apesar de se suspeitar do bom e velho fundamentalismo islâmico, o maluco da vez se chama Andres Behring Breivik, um radical cristão de extrema-direita com um plano meio audacioso de limpar a Europa dos muçulmanos e marxistas. Fosse nos EUA, onde se compra munição no mercadinho da esquina, até se esperaria algo assim (na verdade, virou algo bem comum por lá), mas na Noruega, onde o tempo de prisão máximo é de 21 anos e pode ser abreviado pela metade por bom comportamento (é o preço da reabilitação no primeiro mundo…), é um choque.

Fundamentalismo por fundamentalismo, de cristão a muçulmano, todos são nocivos. Mas o problema maior talvez seja a relação das políticas de segurança da região. Quando ocorreram os ataques, pipocaram análises sobre sua possível relação com terroristas islâmicos infiltrados, a participação da Noruega no Afeganistão e na Líbia, entre outros. Isso seria algo realmente problemático, por que se os ataques a Madri e Londres se deram como represália ao apoio às políticas de intervenção dos EUA, no momento atual o caso é completamente diferente – e isso implicaria em rever políticas de segurança da região como um todo (agora vista como um alvo “isolado”, sem precisar da justificativa de aliança com os EUA pra ser atacada). Mesmo não sendo esse o caso, cabe pensar na própria política norueguesa, pois ainda assim temos repercussões na União Européia como um todo.

Isso por que tudo que o terrorista conseguiu obter para seu massacre foi feito de maneira legal (das armas de caça e munição comprada em outros locais da Europa ao fertilizante que usou nas bombas), e claro que o que é posto no centro dessa discussão é a questão do porte de armas. Mesmo que seja para a caça, ocorreu alguma falha no sistema de regulamentação que deixou um radical notório obter munição pesada, trafegar livremente com ela pela Europa e entrar no país sem nenhum problema. Não se trata apenas de rever a liberdade prevista na Noruega, mas regulamentar essas situação na UE como um todo. Isso é um desafio: se não há nem a discussão em relação a temas menores, mas polêmicos, como o porte de armas e munições, quanto mais os complicados e abrangentes. Isso tudo em meio aos problemas econômicos e políticos (especialmente no tópico “imigração”) da UE. Mas se a idéia do bloco é unificar políticas como um todo, já passou da hora de pensar nessas questões.

Enquanto isso, restam as condolências pelas vítimas, e a perplexidade de que haja esse “Bin Laden loiro de olhos azuis”.


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