Terremotos

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O ano de 2010 parece que será lembrado pelas marcas deixadas pelos terremotas nas mais diversas áreas do planteta. Depois da devastação causada no Haiti, tremores de terra atingiram o Chile e assustou toda a costa do Pacífico. A vítima mais recente da acomodação de placas tectônicas foi a China.

No entanto, apenas o primeiro parece ter causado mobilização internacional de vulto. Percebam que eu não disse comoção e sim mobilização. Mobilização pressupõe ação e esta só é feita se for movida por interesses. No caso do Haiti, os Estados Unidos tinham o maior interesse de proteger suas fronteiras e evitar uma fuga migratória em direção a seu país. Então mais que de pressa ofereceu ajuda humanitária e se assenhorou da situação como lhe é de costume para garantir seus interesses.

No caso do Chile, a ajuda internacional chegou, mas sem muito alarde. Nem a cobertura da imprensa foi tão intensa como ocorreu com a tragédia do país caribenho. De fato, a realidade chilena dista muito da realidade haitina. O Chile é um país organizado, com democracia consolidada, com experências anteriores no socorro a vítimas de tremores de terra e posição geográfica bem distante dos Estados Unidos.

No caso da China, ainda é cedo para dizer qual será o comportamento “solidário” da sociedade internacional. Se a ajuda humanitária não chegar, sempre se poderá alegar que a culpa é do regime chinês, que ainda permanece fechado às influências e interferêcias externas.

De qualquer forma, esses exemplos mostram com nitidez como funciona o sistema internacional, sempre instrumentalizando ações para atender a interesses nem sempre nítidos, mas presentes e às vezes a um alto custo.


Categorias: Política e Política Externa


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