Tensões no Golfo

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É sempre interessante pensar sobre o Oriente Médio. Ultimamente muito se comenta sobre a Primavera Árabe e os supostos contornos democráticos que este processo impõe na região. Seja no norte da África, na Crescente Fértil ou no Golfo Pérsico, aos países árabes se juntam Israel e Irã, os quais, mesmo não sendo árabes propriamente ditos, também trazem sempre novos horizontes para a geopolítica local.

Por um lado, o conflito israelo-palestino é sabido por todos. E, de outro, a oposição iraniana aos Estados Unidos, bem como seus anseios nucleares na figura do então presidente Mahmoud Ahmadinejad, ilustram as principais capas de jornais e revistas nas seções internacionais. Todavia, existe uma questão de longa data não tão conhecida e divulgada pelas mídias: a balança de poder existente entre este mesmo Irã e a Arábia Saudita nos entornos do Golfo.

Além da Liga Árabe, existe outro bloco de países denominado Conselho de Cooperação do Golfo, sendo composto por Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos (EAU), Kuwait, Omã e Qatar. Como o próprio nome nos diz, tais países situam-se justamente na região do Golfo, a qual é de grande interesse dos iranianos. No último mês de Novembro o país fez manobras navais com o intuito de reforçar sua presença sobre três pequenas ilhas que disputa com os emirados.

Mais recentemente, o Irã foi acusado de interferir em assuntos internos dos países do Conselho, causando uma nova onda de comunicados entre autoridades, mais uma vez dizendo que nada passou de um mal-entendido. O que se sabe é que as manobras continuarão. Navios, submarinos e sistemas de mísseis de defesa serão testados num futuro bem próximo.

É uma questão majoritariamente geopolítica e estratégica por dois fatores bastante simples de serem entendidos. Primeiro, o Golfo é um mar interior que serve como rota marítima e saída principal para o Mar Arábico. Segundo, concentra algumas das principais zonas de exploração de petróleo a nível mundial. Assim, nada mais justificável para se confirmar esta rivalidade que perdura há anos. 

Com exceção do gigante saudita, todos os outros países do Conselho são pequenos. Por conseguinte, Arábia Saudita acaba por ser um rival do Irã em nível de igualdade. Isso se reflete nas relações entre a Liga Árabe e o Conselho em si. Não podemos esquecer que existem diferenças culturais, religiosas e socioeconômicas milenares. Todavia, sendo um tanto quanto realista, a disputa pelo poder permanecerá e os iranianos sentem-se com todos os direitos de fazê-la.


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