Tensões coreanas

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Carl von Clausewitz, importante nome para os estudos sobre Segurança nas Relações Internacionais, apresenta uma das definições mais conhecidas do conceito de guerra: “a guerra é a continuação das relações políticas por outros meios”, ou melhor, pela força armada. As Coréias se encontram, nestes últimos dias, em um momento em que esta possibilidade bélica está aflorada (informações detalhadas aqui).

No final de março deste ano, o navio de 1.200 toneladas “Chenoan” da Coréia do Sul naufragou após uma explosão, diante da ilha de Baengnyeong, no Mar Amarelo. Até semana passada, esta explosão representava um mistério, resolvido apenas nos últimos dias a partir da conclusão das investigações internacionais. Segundo Seul, a embarcação sul-coreana partiu-se após ter sido atingida por um torpedo disparado por um submarino da Coréia do Norte.

Dos 104 marinheiros a bordo, 46 foram mortos no acidente, situação que gerou grandes implicações em uma das áreas mais militarizadas do mundo, compreendendo a complicada definição de limites marítimos (definidos unilateralmente pela ONU) da área em que o navio naufragou.

Os noticiários internacionais apresentaram que o regime norte-coreano ameaçou anteontem entrar em guerra contra a Coréia do Sul se houver sanções da ONU pelo ataque a este navio de guerra. Esta situação foi considerada um dos incidentes mais graves desde o armistício de 1953, relembrando que historicamente a Guerra da Coréia (iniciada em 1950) não terminou com um acordo de paz definitivo, mas apenas com um cessar-fogo que tem se mostrado cada dia menos estável.

Sanções à Coréia do Norte, especialmente econômicas, são cogitadas por esta situação e a acusação deve ser levada na segunda-feira à Organização das Nações Unidas pela Coréia do Sul em busca de resoluções: a pressão para incluir novamente a Coréia do Norte na lista norte-americana de terroristas é grande, sendo que Hillary Clinton se pronunciou vagamente a respeito do assunto enquanto a China apenas considerou o episódio como um incidente “infeliz”.

Compreender de que forma a guerra se encontra entre as possibilidades de relações políticas entre os Estados é um dos aspectos predominantes na análise em Política Internacional, tal como Clausewitz sugere. Resta-nos aguardar, pois, o desenrolar das tensões coreanas para saber como este impasse do cenário internacional pode repercutir nas relações inter-estatais.


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