Tempos modernos?

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Século XXI. (Pós-)Modernidade. Liberdade de expressão. Construção de novos paradigmas… Tais idéias remontam diretamente ao contexto político e social em que vivem as Relações Internacionais atualmente. Vincular, contudo, a sexualidade de militares à responsabilidade pelo massacre de milhares de inocentes certamente não se enquadra nessa visão.

Pois esta foi exatamente a polêmica dos últimos dias. Com o intuito de argumentar contra a proposta do presidente dos Estados Unidos de garantir que militares gays assumidos possam servir nas Forças Armadas do país, um importante general americano fez declarações de cunho pouco amistoso/diplomático/razoável em relação a militares holandeses que participaram da Guerra da Bósnia (1992-95).

Em 1995, sabe-se que forças servo-bósnias avançaram sobre a cidade de Srebrenica e promoveram o massacre de mais de 8 mil muçulmanos (foto), segundo estatísticas gerais. Este acontecimento, maior massacre europeu desde a II Guerra Mundial, foi inclusive caracterizado como genocídio pela Corte Internacional de Justiça.

Isto posto, o supracitado general John Sheehan, comandante da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) à época do massacre, declarou perante o Senado norte-americano esta semana que o insucesso na proteção de Srebrenica tem relação direta com o fato de a liderança militar no local ser composta por soldados holandeses assumidamente homossexuais, mostrando-se, pois, contrário a qualquer medida de “liberalização das Forças Armadas”. (Leia mais sobre as declarações de Sheehan aqui e aqui.)

A repercussão destas declarações foram, é claro, muito mal recebidas pela Holanda, tendo que seus representantes afirmado abertamente que os comentários são “ridículos” e “tirados do mundo da ficção”. Exaltações à parte, realmente as afirmações denotam um nível de preconceito que destoa de nossa realidade social pós-moderna. Realidade esta que congrega (ou, ao menos, visa congregar) as diferentes percepções de mundo pelo incentivo ao diálogo e à compreensão mútua.

Espera-se, portanto, que os atores das Relações Internacionais, em que se enquadram os próprios indivíduos, possam agir de acordo com esta perspectiva especialmente diante de situações em que a vida humana está envolvida.


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