Teatro em Washington, platéia em Teerã

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Essa semana, palestinos e israelenses juntaram-se à mesa de negociações pela enésima vez, agora sob supervisão de Hillary Clinton. Há algum tempo, Lula pleiteou a tradicional cadeira de mediador, sempre ocupada por americanos. Não a obteve. Tentou, então, reconciliar Irã e o resto do mundo. Não conseguiu.

Mas esse post não é sobre as aventuras brasileiras no mundo árabe, e sim sobre o infindável processo de paz (ou não) da região. Para começo de conversa, essa primeira rodada de negociações do governo Obama não vem em tão boa hora (para si mesmo). O presidente americano ainda tentou endurecer o discurso e pressionar Israel a desocupar as colônias judaicas em território palestino. ponto crucial para um acordo de paz. A suspensão provisória das construções foi o máximo obtido.

No decorrer do encontro, quatro israelenses morreram em um ataque terrorista reivindicado pelo Hamas. Apertos de mão, a promessa de Obama de um acordo em um ano, um novo encontro em 14 de setembro. A lista de ‘desapontamentos’ que o governo Obama tem causado, interna e externamente, pode crescer com um (muito) possível fracasso nas negociações. Bota na conta do Obama! Afinal, pouca coisa pode ser pior que a política belicosa do antecessor.

Porém, alguns sinais podem mostrar outra face do problema. Sem perder tempo, Ahmadinejad chamou de “traidores” os países árabes que estimularam e estão participando da retomada das negociações de paz entre Israel e palestinos, além de ameaçar riscar a ‘entidade sionista’ do mapa caso algo aconteça ao Irã. A intensificação dos ataques contra Israel também já foi anunciada pelo Hamas, associado de Teerã. O Hizbollah, outro associado do governo iraniano, aplaudiu o atentado do Hamas que matou quatro colonos israelenses, entre eles uma mulher grávida, dizendo que “essa é a maneira de liberar a Palestina”. Após a condenação do Irã às movimentações entre Palestina e Israel, a ANP (Autoridade Nacional Palestina) declarou que “aquele que não representa o povo iraniano, que falsificou os resultados eleitorais, que oprimiu seu povo e roubou a autoridade não tem direito de falar sobre os palestinos, seu presidente ou seus representantes”.

Ora, embora pouco acreditada pela comunidade internacional, a nova mediação dos EUA incomoda a quem pouco interessa o fim dos impasses no Oriente Médio. Selar a paz significaria levar Israel à liderança regional. Mas por enquanto pouco se pode falar em progressos. É mais um encontro para manter a mesa de negociações na inércia do que para chegar a algum ponto.

[OFF] vejam só que interessantes as diretrizes da Constituição sobre as Relações Internacionais do Brasil (art. 4º). É só escolher o que mais se adequa ao momento.


Categorias: Defesa, Estados Unidos, Oriente Médio e Mundo Islâmico, Paz, Segurança


1 comments
Álvaro Panazzolo Neto
Álvaro Panazzolo Neto

Israel ainda não atacou o Irã apenas por que os EUA estão segurando a coleira. Não sei até que ponto eles são tão hegemonicos militarmente, mas se vier a guerra o resultado será bem previsível, mas não sei se premiaria Israel com essa liderança, e sim com mais ódio.