Tapajós e Carajás

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Neste domingo, os eleitores paraenses vão às urnas para decidir o futuro de seu estado. Um plebiscito foi convocado para consultar os eleitores sobre uma possível divisão do Pará em três unidades federativas. A nova divisão criaria os estados de Tapajós e de Carajás, mantendo Belém como capital de um Pará reduzido a 17% de seu território atual. Caso seja aprovada, a proposta será transformada em projeto de lei e enviada ao Congresso Nacional.

Um tema importante nesta discussão é a arrecadação. As capitais federais teriam suas verbas reduzidas devido à inclusão das novas capitais no Fundo de Participação dos Municípios, o mesmo vale para os estados ante a nova divisão do Fundo de Participação dos Estados. Apesar dos repasses federais, a tendência seria que os novos estados nascessem deficitários. Diante da imensidão paraense, é inevitável a consolidação de contrastes. A nova divisão poderia exacerbá-los em decorrência da estrutura incipiente dos possíveis novos estados.

Independente do resultado do plebiscito, novamente expõe-se as necessidades prementes de cidades amazônicas. Imagine somente poder deixar uma capital de avião ou de barco (uma viagem de dois dias para Belém ou Manaus), parte de um estado com 127 km asfaltados. Pois bem, está seria a realidade de Tapajós. Os defensores das divisões afirmam que ela traria as políticas públicas e as condições de desenvolvimento para populações desatendidas por uma capital distante. Já os opositores, fazem-nos lembrar da possibilidade de aprofundamento das cisões e disparidades regionais.

Não se pode negar a existência de fortes laços afetivos e emocionais na questão, uma vez que as regiões mantêm uma identidade cultural arraigada em sua memória histórica. A forma de gerir e levar desenvolvimento para a Amazônia nunca deixou de ser um desafio tratado por nossos governantes, ainda que sem uma solução definitiva. De uma forma ou de outra, pensar nos Estados de Tapajós e Carajás nos remete à mesma discussão. Afinal, será que o desmembramento do Pará traria, de fato, maior bem-estar a sua população e ofereceria soluções não encontradas por nossos gestores até agora?

Se a riqueza cultural amazônica fosse diretamente proporcional à qualidade das políticas públicas para a região, seria menos provável que voltássemos de forma tão recorrente para as mesmas questões sem conseguir sair do mesmo lugar.


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