Sucesso com os falecimentos dos outros

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Estava lendo o Sunday Indian Times (a “Veja” Indiana, sendo que no lugar do Reinaldo Azevedo tem o Thomas Friedman) e vi uma matéria interessante sobre uma tendência asiática.

Nessa última década houve diversas mortes de políticos ou pessoas importantes que tiveram um impacto expressivo em seus sucessores e familiares, levando estes últimos a posições e status que possívelmente não seriam possíveis sem esses falecimentos.

Como no caso de Benazir Bhutto, que após o atentado contra seu marido, ganhou tamanha popularidade que foi eleita primeira-ministra com uma margem avassaladora, sendo que nunca teve uma carreira política muito expressiva além de ser a “primeira-dama”.

Como boa revista de direita, a intenção dessa matéria (e da matéria de capa) foi tentar minimizar o impacto que a morte de Jyoti Basu pode ter na popularidade do Partido Comunista Indiano – vertente Marxista (sim, existe um racha entre os tons de vermelho). Jyoti foi um militante muito ativo em sua juventude, e depois chegou a governar o estado de “West Bengali” por mais de 20 anos, sempre seguindo fortemente a ideologia do partido, as vezes o fazendo em detrimento de sua população.

Se formos levar em consideração essa tendência asiática de sucessos políticos pós-falecimentos, a situação política Indiana pode mudar drasticamente, principalmente quando uma parte considerável da população diz que ele seria o “melhor Primeiro Ministro que Índia poderia ter”.

Percebe-se agora uma movimentação forte dos meios de comunicação mais ligados ao governo (e as grandes corporações, obviamente) para rechaçar Basu, destacando seus fracassos (que foram inúmeros e bem expressivos) e ignorando os avanços sociais que atingiu. Como se o atual Primeiro Ministro estivesse ajudando em muita coisa…

Pode até ser uma espiada no mundo da conspiração, mas quando vemos um claro (e adimitido) aumento do interesse estado-unidense na região, isso se torna realmente preocupante. Já pensaram? Um comunista no poder sendo vizinho dos terroristas alocados no Paquistão? Isso tem mais emoção do que a Guerra Fria! Soma-se isso aos baixos custos de produção encontrados na região mais o mercado emergente alí localizado, a conspiração começa a se tornar levemente mais real.


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