Solução à vista?

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Depois de uma intensa semana de negociações, a notícia mais comentada do dia de ontem foi o acordo em que chegaram Estados Unidos e Rússia a respeito da Síria e das medidas a serem tomadas especialmente em relação aos ataques com armas químicas que chocaram a comunidade internacional há pouco menos de um mês (leia post no blog a respeito aqui).

O dilema sírio já é bem conhecido por todos e o complexo jogo de interesses envolvido (e já discutido no blog em diversos momentos, veja alguns posts aqui, aqui e aqui) torna qualquer solução de difícil visualização no plano prático. Contudo, o uso de armas químicas por parte do governo Assad revelou uma nova e ainda mais terrível faceta deste conflito, mobilizando especialmente o gigante americano contra essa ameaça à paz e à estabilidade internacionais (posts aqui e aqui).

Todos os números destes dois anos e meio de conflito civil na Síria são chocantes e denotam a grande dificuldade de se chegar a um acordo de paz no país. Acumulando mais de 110 mil mortos e aproximadamente 2 milhões de refugiados em países vizinhos, poucos avanços têm sido vistos ultimamente, tornando incertas as perspectivas de paz para a população da Síria e da região.

Com a iminência de um ataque dos Estados Unidos ao país, entretanto, houve uma especial mobilização por parte da Rússia (tradicional aliada da Síria no Conselho de Segurança) para o estabelecimento de uma ponte diplomática de diálogo. Ontem, pois, acordou-se que a Síria deve apresentar um inventário de suas armas químicas em uma semana e que estas deverão ser completamente destruídas até o ano que vem, evitando-se assim um ataque norte-americano e almejando-se que este acordo evolua gradativamente para algo mais abrangente que reacenda a esperança do final do conflito…

Ainda é cedo demais para entender as reais consequências do acordo, mas fato é que, apesar de inicial, este representa um importante passo nas negociações com o regime sírio. Ainda, a ONU afirmou ter recebido carta da Síria com intenções de que o país venha a aderir à convenção internacional contra as armas químicas. Registro de algum avanço? Possivelmente sim.

Mas nem tudo são flores e os ataques do governo aos rebeldes (e vice-versa) continuaram hoje em um ambiente hostil, em meio ao qual todas as boas intenções parecem se esvaecer. Obama segue preparado para um ataque à Síria em caso de descumprimento do acordo. Rússia e China seguem dispostas a barrar quaisquer ações mais incisivas contra o regime sírio com seu poder de veto na ONU. A oposição no país não vê o acordo com bons olhos, e permanece ainda uma descrença generalizada quanto à solução do conflito.

O que pensar diante desta situação? Difícil. Acreditar que a esperança é a última que morre é importante. Mas as mortes sírias são tantas e de tantas formas que a esperança parece precisar, na verdade, ressurgir das cinzas. Se estamos vendo e vivendo os primeiros passos para tanto, só o tempo poderá confirmar. Aguardemos (esperançosos!) o desenrolar deste acordo para reavivar um otimismo há muito obscurecido pelo ceticismo e avistar, efetivamente, uma solução duradoura para o drama sírio. 


Categorias: Conflitos, Estados Unidos, Oriente Médio e Mundo Islâmico, Política e Política Externa


1 comments
Anonymous
Anonymous

Prezada Bianca,Estamos forte na esperanca.Afinal, esta Naçao Siria, tem muita historia.Parabens pela matéia.H. Lucio.