Sociedade do consumo

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Como definir o mundo em que vivemos atualmente? Conceitos utilizados por abordagens pós-positivistas nas Relações Internacionais – as quais questionam discursos dominantes, propondo interpretações de um mundo que é socialmente construído – definem nossa sociedade em termos de pós-modernidade, capitalismo tardio, era da informação, pós-fordismo, etc. Fredric Jameson, importante teórico nesta área, agregou ainda um interessante conceito a essa reflexão: “sociedade do consumo”.

Consumir… verbo antes associado apenas a ações práticas (como fazer compras no mercado!), hoje em dia assume um caráter retórico cada vez mais forte em nossa sociedade. Consumimos informação. Consumimos ideias. Consumimos imagens. Consumimos até perspectivas idealizadas de vida!

E, nesta era globalizada, o que as grandes empresas menos esperam é ter suas marcas associadas a comportamentos negativos, que possam prejudicar sua imagem (e o “consumo” desta pela população, é claro). Segundo os noticiários de hoje, a conhecida marca francesa de roupas Lacoste teria solicitado que a polícia da Noruega impeça que Andres Behring Breivik, atirador responsável pelo desastre recente no país (veja post no blog a respeito aqui), utilize roupas da grife durante os julgamentos do caso (foto). O receio é que a marca se associe, de alguma forma, à imagem dele. E este não é o primeiro caso neste âmbito. Exagero, precaução ou mera consequência inevitável de uma lógica consumista? Em uma “sociedade do consumo” como a nossa, esta parece ser uma questão interessante…

Percebe-se ainda que o cuidado com a preservação da imagem não se restringe a empresas, alcançando também governos, organizações e quaisquer atores neste complexo e articulado cenário internacional em que vivemos. Segundo Jameson, teórico anteriormente citado, hoje a mídia ocupa o espaço da política, sendo que apenas existe o conteúdo veiculado por seus meios – e durante o tempo em que for veiculado. Será? Vale a reflexão.


Categorias: Cultura, Europa, Mídia


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