Sobre nacionalismo e pré-sal

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Hoje, o ‘the New York Times’ publicou uma notícia sobre a exploração do petróleo na região do pré-sal brasileiro. Nesse artigo, mencionam o perigo que cerca a decisão do governo de conceder a exploração de dezenas de bilhões de barris somente à Petrobras, classificando-a “de míope, arriscada e [que] poderá atrasar a capacidade do Brasil de usar o petróleo para ajudar a transformar o país”.

O argumento central da reportagem é que a atitude brasileira vai de encontro aos tantos outros ‘ismos’ assumidos pelos países vizinhos (vide Venezuela e Bolívia): protecionismo, nacionalismo, populismo. Segundo a reportagem, ao assistir ao documentário O Petróleo Tem Que Ser Nosso – Última Fronteira, “[…] uma dúzia de sindicalistas [petroleiros] encerrou a noite cantando o hino nacional e depois uma canção composta para o filme, misturando samba e bossa nova”.

Parece que, para os americanos, ver bandeira no país dos outros é nacionalismo ufanista. Ver bandeira no seu país é orgulho, tendo em vista que em todos os filmes de Hollywood aparece pelo menos uma bandeira em alguma cena. Sim, eu tenho minhas dúvidas quanto ao destino que o governo diz que dará para a receita obtida com a exploração do pré-sal (saúde e educação, sobretudo – qualquer semelhança com a CPMF não é mera coincidência), bem como ao anúncio dessa exploração em vésperas de campanha presidencial (lembrando-se que a companheira Dilma é presidente do conselho administrativo da Petrobrás), mas até aí…

Além disso, dizer que a Petrobrás está postergando muito a exploração da região (que precisa ainda da aprovação do Congresso), e que isso pode fazer com que as receitas esperadas diminuam em virtude de uma possível ‘obsolescência’ da energia de petróleo em detrimento a tecnologias renováveis, francamente… Como se o Brasil não investisse recursos, tempo e esforços diplomáticos para se posicionar na vanguarda do desenvolvimento de alternativas energéticas(leia-se biodiesel, alcool, hidrogênio…)!

Não creio que estaremos em maus lençóis ainda que o preço do petróleo decaia até 2020. Parece mais um estardalhaço para pressionar a entrada de empresas estrangeiras na exploração da área, como fazem com a Amazônia…

O petróleo é nosso! Ou quase isso…

Reformulando: o petróleo é de um buraco negro de recursos chamado Petrobrás.


Categorias: Brasil, Mídia, Política e Política Externa


3 comments
Leo.
Leo.

Bem, mas os EUA vão comprar. Assim como a China. É até por isso que o lugar vai ser explorado, por que alguém tem que comprar. Isso de "petróleo é nosso", a "Petrobrás é brasil" é uma mentira que chega ao cúmulo. A Petrobrás é sempre do governante da vez o petróleo como qualquer outro insumo é de quem pagar para usar. E sempre se fala em como explorar, vai custar caro e tudo mais. Vamos convir quem tem dinheiro no mundo é americano (pq eles não podem quebrar, ao menos no momento) e chineses, e já que estamos desde logo empenhados a vender barris de petróleo para a china do pré-sal, ficamos tb aos EUA, vai ser na minha opinião muito bom para mundo isso (visto que vai reduzir a dependencia americana de ditadurazinhas dantescas espalhadas no mundo e - aqui é uma utopia pessoal - propiciar que elas sejam arejadas, no sentido de mandadas pelos ares.)

Alcir Candido
Alcir Candido

Pois é, Adriana, eu gosto mesmo de ditado!Quem desdenha quer comprar!No caso do Brasil, no entanto, sugiro outro, esse quem me ensinou foi o Ivan:Camarão que dorme, a onda leva! O Brasil que não fique esperto!

Adriana Suzart
Adriana Suzart

Andrea,Sua análise me fez lembrar o seguinte ditado(para o Alcir, que gosta deles): Quem desdenha quer comprar!Aliás essa é uma das estratégias mais usadas pelos EUA, só o que é deles, funciona; só o que é deles é bom; só o que é deles vale a pena. O resto, bom, o resto é o resto.Com o nosso petróleo não seria diferente. Penso até que eles só não começaram ainda a usar estratégias mais pesadas por que têm a intenção de dar uma bela mordida nesse bolo, sem contudo gastar muita energia.Mais uma vez, parabéns pela análise.Abraço!