Síria: o regime recupera terreno

Por

O conflito na Síria se arrasta há mais de dois anos, mas o presidente Bachar Al-Assad segue na sua poltrona. Nos últimos meses, frente a escalada da violência reportada, parecia crescer a chance de alguma forma de intervenção. França e Reino Unido defenderam abertamente armar os rebeldes, ao passo em que os Estados Unidos estabelecerem sua linha vermelha. Por outro lado, Rússia e China bloqueiam resoluções contrárias ao mandatário na ONU. 

O momentum parecia favorecer os rebeldes. Contudo, após o incidente de canibalismo e, especialmente, da afirmação de uma investigadora das Nações Unidas sobre evidências da utilização de armas químicas por rebeldes, o cenário embaralhou-se. A afirmação logo foi negada por outros investigadores, mas preocupou, justamente por se tratar da tal linha vermelha ou a “game changer” do Obama.   

Na semana passada, em entrevista ao jornal Clarín, o líder do regime defendeu a sua ofensiva militar e negou a estimativa de vítimas (mais 70.000 para a ONU). Reafirmou ainda sua intenção de resistir e até mesmo apresentar-se nas próximas eleições do país. Além disso, o jornal Le Monde indicou nesta semana um avanço das forças oficiais, que teriam se rearmado e se aproximavam de reconquistar uma cidade estratégica na fronteira com o Líbano.  

Os russos, apesar de proporem uma conferência para discutirem a crise, seguem sendo o principal fornecedor de armas para Assad. O Irã também tem auxiliado na tarefa. Sem contar o Hezbollah do Líbano, que combate junto ao exército do governo. A estratégia de garantir o controle em regiões estratégicas do país, ainda segundo o veículo francês, levou a recentes massacres em três vilarejos sunitas.  

Neste mar de sangue, o apoio internacional e os avanços rebeldes parecem arrefecer. O primeiro parece relegado à conferência internacional negociada por EUA e Rússia, enquanto o segundo grupo parece perder-se na fragmentação – incapaz até de gerenciar a ajuda humanitária nas áreas que controla. De ação internacional contrária ao regime, somente a atuação solo de Israel mesmo.  

Uma intervenção que parecia acercar-se do iminente, pode ter sumido do mapa. Segue o conflito e a tragédia humanitária.   

Imagem: fonte


Categorias: Conflitos, Oriente Médio e Mundo Islâmico