Será que agora vai?

Por

2011 é ano de festa. O F-X, projeto de compra de caças avançados pela Força Aérea Brasileira, completa seus 15 anos, e virá com um novo visual. Mas não seria esse o projeto, sob sua nova roupagem de F-X2, que deveria ter tido seu resultado final revelado em outubro de 2009? Sim, esse mesmo.

Não vamos criticar o governo, afinal um atraso de dois anos é compreensível – um negócio de 12 bilhões de reais não se fecha de um dia pro outro! O que embolou a escolha foi a decisão da presidente Dilma Roussef de reavaliar as ofertas das empresas competidoras (F/A-18 da Boeing, Girpen NG da Saab e Rafale da Dassault). Isso pois o relatório técnico da FAB já estava pronto desde o começo do ano passado, e avaliou todas as aeronaves como aptas às necessidades brasileiras. Com isso, restou o drama da escolha: a opção francesa, mais cara e de preferência do ex-presidente Lula, era uma escolha política e que batia com um ambicioso projeto de cooperação em defesa com a França que passa pelo submarino nuclear; a opção norte-americana é a mais confiável em termos de desempenho e batismo de fogo, mas sempre pairou sobre ela a desconfiança da retenção de tecnologia norte-americana; e a opção sueca seria a mais interessante para o desenvolvimento de tecnologia, inclusive se adequando aos objetivos da Estratégia Nacional de Defesa, mas seria uma aposta potencialmente arriscada. Nada foi decidido por Lula e o abacaxi ficou com Dilma. Pouco adiantaram as conversas de seu antecessor com Sarkozy: a presidente optou por reavaliar todas as ofertas e aguardar um parecer em conjunto com o Conselho de Defesa nacional.

Basicamente, o programa volta à estaca zero. Todas as empresas parecem ter voltado ao páreo, e inclusive há quem diga que as já eliminadas em uma primeira etapa do projeto poderiam voltar a apresentar propostas (como o consórcio europeu do Eurofighter e a Rosoboronexport, dos aviões russos Sukhoi), ou que o programa de compra de aviões de 4ª geração seja definitivamente cancelado e se comece o puro e simples desenvolvimento de um caça de 5ª geração desenvolvido aqui.

Várias questões podem ser levantadas. Primeiro, se a compra dos franceses era quase certa, por quê recomeçar toda a análise? Lula passou por cima de critérios técnicos para prevalecer uma decisão política. Estaria Dilma sendo cautelosa quanto aos termos de transferência de tecnologia, ou simplesmente estaria dando mostras de que lida de maneira diversa que seu antecessor tais assuntos? E se o projeto for mesmo cancelado como compra e se tornar um processo de desenvolvimento de caça nacional, haverá a transferência de know-how necessária, e conseguiremos algo em um prazo útil, ou isso se delongará por mais 15 anos? A única certeza é que esse investimento é um dos principais para a reorganização do setor de Defesa brasileiro, e enquanto essas questões não têm respostas em curto prazo, resta ao país continuar a modernizar a maior esquadrilha de F-5s do mundo…


Categorias: Brasil, Defesa, Paz, Política e Política Externa, Segurança