Será que a Rússia vai?

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Obama vai fazer uma proposta daquelas irrecusáveis à Rússia, daquelas que ninguém pensa duas vezes em aceitar.


Pois bem, ele quer convencer os russos a, juntamente com os Estados Unidos, reduzir os arsenais nucleares em 80%, segundo o jornal “The Times”.

Olha que beleza, Rússia e Estados Unidos juntinhos, diminuindo as armas nucleares, que beleza, o mundo mais seguro, tudo maravilhoso.

Sinceramente, por melhores que sejam as intenções de Obama, eu duvido muito que isso vá pra frente. Por um motivo óbvio. Nem vou entrar aqui em discussões acerca de teorias de relações internacionais. O fato é que quem olha pra Rússia, que vê as atitudes da Rússia, quem sequer já ouviu falar da Rússia, sabe que eles podem até aceitar formalmente um acordo desse tipo, mas não vão cumprir nunca.

Pra se ter uma idéia, quando a Rússia quer renegociar os preços do gás que vende à Europa, simplesmente se corta o fornecimento do gás, milhares de pessoas morrem de frio nos países que dependem dessa fonte de energia (o frio por lá é bravo), até que os europeus aceitem as exigências da Rússia.

Quer mais? Há um tempinho atrás, após um incidente diplomático com a Inglaterra que levou às expulsões mútuas dos embaixadores, a Rússia simplesmente enviou um avião com capacidade de carregar ogivas nucleares que sobrevoou Londres por um tempo. Até hoje a Inglaterra busca explicações.

O que mais se pode esperar de um país que tem (no caso tinha, porque Putin hoje é primeiro ministro mas já está mexendo os pauzinhos pra voltar à presidência) um presidente que passa o tempo a “salvar” jornalistas de tigres.

Mas o caso não é só a Rússia. Os Estados Unidos não vão cumprir um acordo desse tipo nunca. Primeiro porque o tema “segurança nacional”, por mais desgastado que esteja, ainda é muito caro para eles. Segundo porque Obama vai ter que passar este acordo pelo Congresso, e caso haja um ataque ou qualquer falha de segurança, enfim, nenhum congressista vai querer pagar o pato.

Aliás, Obama já tem recebido críticas sobre as políticas de segurança. Alguns políticos dizem que o país pode ser alvo novamente de um ataque. Enfim…

Mas até que o Obama está certo, porque o acordo sobre redução de armamento nuclear entre os Estados Unidos e a então União Soviética, herdado pela Rússia, está pra vencer em 2011 e, em negociações, a gente sabe que a primeira oferta nunca é a que vai ser fechada. Portanto, os 80% é um valor alto pra ser reduzido depois. E os EUA precisam de um acordo de controle de armas com a Rússia, pra, pelo menos no campo diplomático, dar uma segurada neles…

Neste caso, qualquer concessão vale, melhor abrir mão de alguma coisa e pelo menos ter o compromisso formal de que a Rússia não vai investir em armamento do que deixar tudo correr solto.

E os EUA tem um trunfo. Obama diz que pode rever a decisão sobre a implantação do tal escudo anti mísseis. E isso os Russos querem. Neste caso, vai do poder de negociação do pessoal por lá…

Bom, só pagando pra ver…


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