Sandy passando e causando

Por

Começamos o texto de hoje com um pouco de cultura inútil. Você sabe por que tempestades e furacões atlânticos costumam receber nomes nos EUA? Seria para facilitar a divulgação de avisos para a mídia e a população, em uma lista que se repete a cada seis anos. A exceção são os nomes de furacões que resultaram em tragédias. Então, nada de Andrews ou Katrinas no futuro. A bola da vez é o furacão Sandy, que pela repercussão pode muito bem ser um candidato a essa lista ingrata de nomes “aposentados”. 

Se formos pensar, furacões e outros tipos de cataclismos são alguns dos poucos eventos realmente internacionais. Não são localizados como deslizamentos ou incêndios, e literalmente “viajam” por um monte de lugares diferentes causando transtorno e destruição. A grande sensação do Sandy é que seu trajeto está muito atípico, saindo do roteiro “comum” passando pelo corredor entre Flórida e Louisiana, e com projeção de ir parar lá pros lados de Nova Iorque. Isso está causando um alvoroço tremendo. Cortes de energia estão previstos (podendo chegar a uma semana no pior dos casos), avisos de enchente e evacuação por toda costa leste, e centenas de vôos cancelados por todo o país – afetando inclusive os internacionais. 

Essa é provavelmente a maior conseqüência internacional desse furacão, mas tem outra bem mais sutil. Estamos a dias da eleição presidencial dos EUA (que na verdade já começou, já que por lá existe a opção de antecipar o voto, coisa de primeiro mundo), e isso tudo está afetando a reta final de campanha dos candidatos. A coisa parece pesar mais para Obama – ele e Romney tiveram que alterar seus planos e deixar de visitar estados estratégicos, cancelando comícios e tudo mais, mas como presidente atual, o povo espera que tenha uma atitude com relação à tragédia, se acontecer. É só lembrar da falta de ação do Bush filho fez na época do Katrina pra pensar em como isso pode ter um impacto real no resultado das eleições… 

Fica a expectativa da passagem do furacão que na verdade está perdendo força e muito provavelmente virando uma tempestade forte. O interessante disso tudo é que os danos, até o momento, são muito mais potenciais que reais, e a perda de vidas deve ser mínima, se ocorrer. Isso, pelo menos, na passagem pelo continente. Por que o Sandy já passou pelo Caribe e levou mais de 60 pessoas junto, sendo que onde a coisa foi pior (mais destruição e mortes), como desgraça pouca é bobagem, foi no Haiti. Mas claro que isso não dá notícia como nos EUA.


Categorias: Américas, Estados Unidos, Meio Ambiente, Política e Política Externa


0 comments