Sai ou não sai?

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E o Primeiro-Ministro inglês lança mais uma polêmica sobre uma fragilizada União Europeia… em declaração proferida no dia de hoje, David Cameron apresentou uma sutil (?) ameaça relativa à saída do Reino Unido do bloco caso este não seja reformado e as relações com seu país renegociadas.

Com o anúncio da possibilidade de um futuro referendo para consulta popular sobre a manutenção do país no bloco europeu (com data indefinida, mas possivelmente entre 2015 e 2017), Cameron traz à tona o risco da saída inglesa da lista dos 27 Estados-parte da União. Segundo alguns, na verdade Cameron já está em ritmo de campanha para sua continuação no mandato de 2015 até 2019, visto que, segundo pesquisas, aproximadamente 40% da população preferiria o Reino Unido fora da UE.

A questão é saber se o Reino Unido precisa da União Europeia tanto quanto esta precisa do país. A representatividade inglesa – dado seu peso militar, político e econômico no cenário internacional – é inegável, mas até que ponto esta liderança seria mantida fora do grupo europeu?

Tudo bem que o Reino Unido já não faz parte do Espaço Schengen, mantendo sua própria moeda e uma certa independência da (atualmente não tão estável) “euro-zona”. Entretanto, em uma época em que o multilateralismo se mostra cada vez mais importante para a melhor consecução dos objetivos individuais, bem como para o fortalecimento do próprio sistema internacional, uma ameaça deste nível parece ser muito mais retórica que efetivamente prática, provocando polêmica para que a sua própria participação seja mais valorizada (e não o contrário).

Muitos interesses estão em jogo nesta questão, inclusive do próprio Cameron, então em meio à incerteza lançada hoje a única certeza talvez seja que as relações internacionais são (re)construídas constantemente com base em laços de confiança e jogos de poder, nas mais diferentes esferas… 


Categorias: Europa, Organizações Internacionais, Política e Política Externa


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