Rússia e Geórgia: um ano depois

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[Pessoal, o blog passou por problemas técnicos hoje que alteraram a formatação, enfim… Por isso, estou refazendo a postagem do Luís Felipe Kitamura]


No dia 7 de agosto de 2008, pouco antes das Olimpíadas de Pequim, estourava o conflito entre Geórgia (parte da antiga União Soviética, independente desde 1991) e Rússia. A origem do conflito foi a ação do governo georgiano contra a região separatista da Ossétia do Sul. Mikhail Saakashvili, presidente da Geórgia, por sua vez prometeu colocar a Ossétia do Sul e a Abkházia, outra região separatista, sob o comando do seu país. A Rússia, por sua vez, tem interesses na região, boa parte da população sul-ossetiana fala e possui passaporte russo. Enquanto a Geórgia deseja juntar-se a OTAN, a Rússia quer garantir sua influência sobre seu entorno. O cenário para o confronto estava armado, faltando somente o ensejo. Aí entrou o Saakashvili. As tensões, no entanto, são antigas.

As forças georgianas lançaram uma ofensiva para recuperar o controle da Ossétia do Sul. Moscou logo reagiu, em defesa da república separatista – sob influência sua; um intenso contra-ataque, colocando fim ao conflito em 12 de agosto. O saldo da guerra: 390 mortos e 100 mil refugiados, sendo que hoje, exatos um ano depois, o cessar-fogo não foi completamente implementado. A reação russa foi implacável, o Kremlin reconheceu a independência da Ossétia do Sul e Abkházia, estabelecendo plenas relações diplomáticas com ambas, gostem ou não. E a Rússia dá sinais que não recuará na sua intenção de defende-los, reacendendo os sinais de alerta para uma possível retomada do conflito.

A Rússia, em verdade, construiu as bases para o conflito. Alguns analistas afirmam que até por mais de um ano. Primeiro, a Rússia aumentariam as relações com as províncias separatistas da Geórgia, o que se seguiu com o aumento das forças de peacekeeping russas em seus territórios. Além disso, aumentaram a pressão militar, incluindo vôos no espaço aéreo georgiano. Ações extensivas, que cobriam do território até a costa da Geórgia. Todos estes argumentos, são de uma entrevista de Stephen Sestanovich do Council on Foreign Relations.

Os russos precisavam de uma oportunidade para dar seu recado, em outras palavras, realocar sua influência em seu entorno, haja vista a expansão das instituições ocidentais entre seus vizinhos (vide o desejo de Ucrânia e Geórgia de fazerem parte da OTAN). Não parece ser uma boa idéia jogar com os russos, que não parecem saber brincar. Experiência é o que não vai faltar, após 10 anos na Chechênia…

O recado foi dado. A maior potência do mundo, em termos militares, já demonstra hesitação em como lidar com a Rússia. As prioridades russas são claras: evitar a expansão da OTAN, impedir a instalação do escuda antimísseis na Polônia e República Tcheca, e aumentar a sua influência entre as ex-repúblicas soviéticas. Objetivos que remetem a um passado glorioso, mas que em termos práticos são difíceis de alcançar, visto a diminuição do seu poder de coagir e impor suas vontades, mesmo ante seus aliados regionais, como a Armênia e Bielorússia. Não há reedição da Guerra Fria, só nostalgia por parte dos russos. Mesmo assim é melhor não subestimá-los. Um assunto espinhoso para os diplomatas de plantão. Para mais, veja artigo da revista Foreign Affairs.



Categorias: Conflitos


3 comments
Luís Felipe Kitamura
Luís Felipe Kitamura

É Alcir, realmente não é aconselhável querer brincar com a Rússia, eles não tem muito pudor quando em conflitos...Quanto oa Chávez e Uribe... difícil dizer quão longe eles pretendem ir.Um abraço,

Alcir Candido
Alcir Candido

Aliás, o Chávez que anda querendo brincar de aviãozinho e de barquinho com eles por aqui por perto! E o Uribe de soldadinho com o outro lado...

Alcir Candido
Alcir Candido

Só sei de uma coisa: com a Rússia não se brinca...