Rumo a um mundo melhor…

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Trazer à tona o drama vivido diariamente por pessoas em situação de migração ou refúgio nunca é demais. Em 20 de junho, celebra-se o Dia Mundial do Refugiado, estabelecido pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), em 1951. E, hoje, 19 de janeiro, celebra-se o Dia Mundial dos Migrantes e Refugiados, data instituída pela Igreja em 1914, no momento em que se iniciou a Primeira Grande Guerra.

No centenário da data, e sob o lema “Os migrantes e refugiados: rumo a um mundo melhor”, o Papa Francisco instigou, em seu discurso proferido hoje, a necessidade de esperança e de combate aos “mercadores de carne humana”, que buscam escravizar pessoas em situação de risco.

Trata-se, de fato, de uma situação com dados nem um pouco animadores. Vemos uma colônia de mais de 45 milhões de refugiados e 230 milhões de migrantes nos dias de hoje, especialmente ao considerarmos regiões em meio a conflitos, em que os países vizinhos se tornam os grandes receptores de pessoas que fogem por suas vidas. Afeganistão, Síria, Somália, Sudão e República Democrática do Congo lideram a lista de países de origem dos refugiados de hoje. E os números, infelizmente, parecem apenas aumentar

No nosso próprio país, o total de refugiados no último ano triplicou em relação a 2012, de acordo com informações do Comitê Nacional para Refugiados (CONARE), sendo que quase a metade dos mais de 600 pedidos aceitos pelo governo brasileiro foram oriundos da Síria.

Quando o problema tem raiz política, apenas uma solução política pode saná-lo definitivamente. Os meios humanitários utilizados para lutar contra as dificuldades dos refugiados, essenciais devido à gravidade da situação, veem-se, com frequência, restritos a medidas paliativas, temporárias. Estamos falando de indivíduos cujas vidas foram (e são) diretamente afetadas por conflitos que não são seus. 

“Rumo a um mundo melhor”: a mensagem certamente deve ser de esperança aos que buscam refúgio, mas principalmente de esperança que aqueles que possuem os meios políticos para sanar os conflitos se atentem às suas responsabilidades e avaliem o impacto de suas decisões não apenas em termos financeiros, mas – justamente – em termos humanos. 


Categorias: Assistência Humanitária, Conflitos, Direitos Humanos, Política e Política Externa


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