Robotizando

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Todos viram a visita de Obama a China. Gafes, programação, cerimonial levado às últimas conseqüências. O presidente popstar chegou com promessas de abordar assuntos tabu, mas foi Pequim que chegou na frente. O ganhador do Nobel da Paz conseguiu citar apenas uma vez a questão da liberdade, ponto-chave da diplomacia americana.

“As liberdades de expressão, culto e o acesso à informação são, em nossa opinião, direitos universais. Estes deveriam estar ao alcance de todos, incluindo as minorias étnicas e religiosas, seja nos Estados Unidos, na China, ou em qualquer outro país”. E foi isso.

Os símbolos que cercaram o encontro demonstram claramente que dessa vez os chineses largaram na frente (de novo). Nada de perguntas para repórteres, estudantes chineses da juventude comunista com perguntas preparadas, discursos previamente avaliados, censura a jornais alternativos que conseguiram entrevista com o presidente americano. Tudo muito orquestrado no outro lado do mundo.

Em outa perspectiva, Obama também forneceu uma verdadeira coletânea de declarações exaltando a magnificência do governo chinês. As relações entre Pequim e Washington podem levariam a um mundo mais “próspero e pacífico”, e a rivalidade entre ambos não pode existir.

Ora, a pouco tempo perguntava-se como será o relacionamento de uma China em ascensão com a atual superpotência, os Estados Unidos. Conflito? Adaptação? Os acontecimentos apontam uma geopolítica mundial que girará em torno da relação entre China e América. Uma guerra parece pouquíssimo provável. Apesar do grande investimento militar de Pequim, somente demonstrariam alguma intenção nesse sentido caso aumentem sua capacidade marítima, já que os EUA são uma grande potência naval. Ainda assim, em médio prazo, ainda há a questão do expressivo(íssimo) mercado americano. Nada de conflito por um bom tempo.

Nessa visita, Obama deu à China uma coleção de depoimentos positivos sobre o país. Quase nada se falou em liberdade e democracia num encontro milimetricamente calculado. Se ainda é cedo para se pensar nos EUA perdendo o trono, em se tratando de discursos, ao menos, parece que já temos algum desequilíbrio na balança do poder mundial.


Categorias: Ásia e Oceania, Estados Unidos, Política e Política Externa


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