Riscos humanitários

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E o ano de 2011 termina com tristes acontecimentos no meio humanitário. Em Mogadishu (Somália), dois agentes humanitários da ONG Médicos sem Fronteiras (MSF) foram mortos em um atentado local, ainda com autoria indefinida. Este é o segundo caso grave em pouco tempo no país, pois outros três funcionários somalis de organizações humanitárias foram também vítimas fatais na última semana.

A Somália vive a pior seca de sua história que tem gerado, por conseguinte, o pior surto de fome da região (veja post no blog a respeito aqui). Esses fatores tornam urgente o desenvolvimento de ações humanitárias em grande escala no país, porém estas sofrem muitas vezes consequências graves advindas da falta de estrutura local. Grupos rebeldes lutam entre si e as principais vítimas são a população e os agentes humanitários. No último mês o grupo somali Al Shabaab (vinculado à Al Qaeda) chegou a proibir a presença de agências humanitárias no território.

Entretanto, o risco aos trabalhadores humanitários não se restringe à Somália. Segundo relatório recente publicado pelo Escritório das Nações Unidas para Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), os ataques violentos triplicaram na última década, vitimando mais de 100 pessoas por ano. Apesar da proteção garantida pelas Convenções de Genebra do Direito Internacional Humanitário, a percepção local de que os agentes são cúmplices das políticas praticadas pelas partes envolvidas nos conflitos, bem como os ataques terroristas em áreas de risco, tem criado complexas situações de risco nos últimos tempos.

Segundo Florian Westphal, representante do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, o maior desafio da atualidade nesta área é encontrar o equilíbrio entre resolver as necessidades humanitárias como organizações neutras que normalmente trabalham sem proteção armada e, por outro lado, assegurar um nível mínimo de segurança para as equipes.

Apesar dessa triste constatação, o supracitado relatório da OCHA reconhece ainda que os esforços humanitários continuam sendo realizados, buscando-se alternativas aos possíveis impedimentos existentes. Afinal, “The humanitarian principles of humanity, neutrality, impartiality and independence do matter


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