Rio 2016 – quem leva a medalha de ouro?

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(Eduardo Paes, Carlos Arthur Nuzman e Sérgio Cabral)

Tudo conspirou a favor da candidatura do Rio de Janeiro. Foi o dia da redenção do esporte brasileiro e do fim do complexo de país pequeno que nos assola. A delegação foi composta por grandes visionários – Orlando Silva, ministro do Esporte (aquele que usa o cartão corporativo…); Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (o comandante do Pan-Americano do Rio 2007 e seu legado…); nosso presidente Luiz Inácio Lula da Silva; mais o governador do estado e o prefeito da cidade do Rio de Janeiro (ambos na foto acima).

Em 2016, o Brasil impressionará a comunidade olímpica com um dos maiores Jogos Olímpicos da história, desde as instalações esportivas à logística dos transportes – a mesma tão criticada agora. Mais que isso, o seu legado será inegável, à medida que dinamizará a economia brasileira e incentivará o início de um sério programa de desenvolvimento do esporte olímpico no país. Nossos sonhos se realizarão por meio de investimentos previstos em 25 bilhões de reais. A maior parte deste valor em investimentos para a infra-estrutura da cidade – transporte, energia, saneamento e instalações esportivas. Mais da metade do orçamento, contudo, deve ser coberta pelo Comitê Olímpico Internacional e investidores privados.

O legado dos Jogos Pan-Americanos foi fundamental para nossa vitória. Seu orçamento inicial previa gastos de 400 milhões de reais. Porém custos não previstos aumentaram um pouco está conta; atingindo a bagatela de 4 bilhões de reais. Mas o legado é visível: uma arena multiuso que virou casa de shows; um estádio de futebol/atletismo que teve seus direitos cedidos a um clube de futebol da cidade; um parque aquático sub-utilizado; um velódromo sem uso; instalações temporárias em um complexo da iniciativa privada (Riocentro). Também não foram realizadas obras importantes de infra-estrutura, nem mesmo cumprida a proposta de integração ecológica e compromisso social. O funcionamento é simples, o dinheiro público constrói e a iniciativa privada arrenda e lucra em cima tempos depois. A lógica é a mesma aplicada aos preparativos para a Copa do Mundo de 2014. O compromisso é com o esporte, lógico – e mais, com o futuro do país.

A organização dos Jogos Pan Americanos do Rio de 2007 abriu o cartão de visita da candidatura às Olimpíadas de 2016. O zelo pelo dinheiro público é indiscutível. As figuras políticas fazem jus a atual projeção internacional do país, tendo reconhecidas habilidades para gerir eventos de tal grandeza. O Tribunal de Contas da União (TCU) ofereceu seu parecer à sociedade. Fica em segundo plano o fato o Pan 2007, do Rio de Janeiro, ter sido o mais caro da história; o seu custo foi superior a soma de todos os investimentos dos três Jogos anteriores. Por tudo isso, a medalha de ouro é de todos nós. Após duas candidaturas fracassadas, 2004 e 2012, finalmente o Brasil tem a chance de mostrar sua grandeza à comunidade internacional.

A cerimônia de escolha da sede das Olimpíadas de 2016 foi eminentemente um evento de político de grandeza. Todas as candidatas a país-sede levaram seus representantes políticos de alto escalão – Obama por Chicago (EUA), Hatoyama por Tóquio (Japão), Zapatero e Rei Juan Carlos por Madri (Espanha) e Lula nos representando. Neste sentido, portanto, não se pode discutir a vitória que representa a escolha do Rio. São grandes os exemplos de países que usaram a Olimpíada para alavancar seu prestígio internacional – caso de Pequim (China) em 2008, ou de cidades que utilizaram tal precedente para iniciar um grande renovação – caso de Barcelona (Espanha) em 1992. Cabe agora a todos nós assistir a transformação prometida no Rio de Janeiro até 2016, um representação do nosso projeto de país. O primeiro passo está dado.

Será que os sonhos do começo deste texto se realizarão?


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