Revolta dos indignados

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Na última sexta-feira, a Bianca comentou sobre as revoluções e a “primavera árabe”. Hoje, lemos nos jornais sobre os resultados das eleições na Espanha, e por mais estranho que pareça, são assuntos que têm tudo a ver.

Como assim, está havendo uma revolução na Espanha? Calma, não é pra tanto. Ou, ao menos, se está havendo, é pacífica e organizada. Desde a semana passada, milhares de pessoas se aglomeram em frente a diversas praças no país, sendo a maior concentração na Puerta del Sol em Madri, reivindicando a revisão de reformas econômicas e a moralização da política no país, no chamado movimento 15-M, ou “a revolução dos indignados”.

O movimento era “proibido” pelo governo, por conta das eleições próximas – e já se comentava que fazia uso dessa regulamentação eleitoral como instrumento para debelar os protestos. Contudo, ao contrário dos casos anteriores nos países árabes, não se recorreu à violência ou intervenção policial, apenas avisos aos reclamantes que se dispersassem. Deu no que deu: uma taxa recorde de abstenção eleitoral, a derrota do partido de situação, o PSOE do primeiro-ministro Zapatero, e a permanência do 15-M, que promete continuar com os protestos e se mostra uma força política organizada (mas não como um partido) mesmo após o período eleitoral.

Uma ponderação e uma lição sobre o caso. O fato é que a oposição praticamente clama pela saída imediata do partido socialista do governo, e isso pode refletir a insatisfação quanto às medidas de austeridade impostas para a continuidade da Espanha na União Europeia. As dívidas dos governos regionais podem ser muito maiores que o declarado e os mercados podem receber muito mal essa novidade. Isso tudo agrava o cenário de incerteza econômica na Espanha e pode vir a ser mais um golpe duro contra a integração européia.

E a lição? Com um mínimo de boa vontade, é possível organizar um movimento civil de contestação, legítimo e pacífico. Se a questão econômica é espinhosa de se debater, ao menos o clamor por transparência e dignidade da classe política é mais que bem-vindo em qualquer Estado. Se em países com debilidades e restrições (como o Egito) os jovens conseguiam armar protestos por meio de redes sociais e afins, quanto mais em um país “livre” como a Espanha.

Ou o Brasil. Dá no que pensar…


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