Revelações

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A política externa estadunidense durante o governo de George W. Bush é objeto em constante mudança e construção, na longa história dos Estados Unidos. Temos visto tentativas diversas de construir novas imagens, como a biografia de Bush (clique aqui para mais sobre esse assunto no blog), e outras de revelar questões contraditórias no período, como os vazamentos de documentos diplomáticos do Wikileaks sobre a guerra do Iraque e do Afeganistão.

De toda forma, com ou sem essas tentativas, o período já foi conturbado o suficiente para render muitas dúvidas e questionamentos, seja para a imprensa, seja para a opinião pública internacional, seja para os cidadãos estadunidenses. Com duas guerras e uma agenda internacional de combate a um inimigo sem face, o terrorismo, o governo Bush marcou um interessante episódio da política estadunidense.

Mas, como dito anteriormente, a história continua a ser construída. E uma entrevista de um desertor do governo de Hussein revelou informações que, apesar de não serem surpreendentes a muitos, constituem uma interessante peça no quebra-cabeça da política externa de Bush e, principalmente, da guerra do Iraque.

Essa peça, digna de nota, foi fornecida pelo engenheiro, Rafid Ahmed Alwan al-Janabi, conhecido pela inteligência estadunidense e alemã como “Curveball” que passou informações sobre a existência de armas biológicas para a BND, agência de inteligência alemã. Segundo entrevista ao jornal britânico, The Guardian, ele havia mentido como forma de opor-se ao governo (confira aqui o vídeo).

Apesar de já se ter sido divulgado que os Estados Unidos não foram capazes de encontrar armas biológicas no país, agora, com toda certeza, um dos pilares de vidro que sustentavam a justificativa dos EUA para a invasão despedaçou-se de vez.

A declaração de “Curveball” é interessante porque é capaz de despertar novos questionamentos e dúvidas, além de sugerir novas respostas. Primeiramente, a credibilidade das informações obtidas por serviços secretos é posta em xeque. Segundo, a tese de que Jalabi apenas disse o que o governo estadunidense gostaria de ouvir, saiu fortalecida, tendo em vista que foram utilizadas informações decerto pouco confiáveis em detrimento dos largos relatórios da AIEA.

Aos poucos, por vazamentos de documentos, textos diversos e declarações como essa, vai se construindo um novo entendimento sobre os bastidores que motivaram a polêmica guerra do Iraque e a política externa de Bush para o Oriente Médio. Decerto ainda muito se falará sobre esse assunto e muitos outros remendos comporão essa colcha de retalhos que se tornou a guerra do Iraque. As repercussões das declarações são ainda muito incertas, tendo em vista que a guerra é ainda muito popular na terra do Tio Sam. Resta esperar para ver o desenrolar dos acontecimentos.


Categorias: Estados Unidos, Política e Política Externa


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