Retrospectiva 2013: um ano de testes

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Um ano em que nos encontramos no meio de uma enorme agitação e incerteza e fomos testados a cada minuto de cada dia. Ban Ki-moon não poderia estar mais certo em sua mensagem de janeiro à Assembleia Geral das Nações Unidas. A comunidade internacional, os países e as sociedades enfrentaram inúmeros testes em 2013, e o mundo talvez atravesse uma das piores crises de sua história. Uma crise desconhecida, imprevisível, transversal e inédita que atinge indiscriminadamente a todos nós.

Há um sentimento de insatisfação generalizada, quando não de ódio, que se dissemina pelo globo. Nações estão em guerra, inseguras, ou em protesto, vidas estão no limite. De conflitos políticos, econômicos e socioculturais a demandas por serviços públicos de qualidade, passando por choques entre a modernidade e a tradição. Os atentados de Boston; intervenções militares francesas no Mali e na República Centro-Africana, com a anuência da ONU; o aprofundamento da situação crítica da Síria; disputas étnicas e religiosas na Nigéria e no Sudão do Sul; a onda global de protestos que arrastou Turquia, Brasil, Argentina, Tailândia, Ucrânia, entre outros.

A diplomacia está em crise! Faltam líderes, instituições críveis e, sobretudo, faltam ambição e visão de futuro. O abalo das relações diplomáticas não decorre apenas da ampla espionagem virtual promovida pelos Estados Unidos, senão também da incompetência da comunidade internacional em administrar essa insatisfação generalizada. Parece pouco provável uma solução definitiva. Japão e China continuam à beira de uma confrontação militar pela posse das ilhas Senkaku ou Diaoyu, e a solução provisória para o incidente do uso de armas químicas na Síria partiu da Rússia. Da mesma forma, um tratamento multilateral para a governança da internet partiu de Brasil e Alemanha. Cada vez mais, o protagonismo diplomático alarga as fronteiras do velho Ocidente. É preciso reconhecer isso.

Líderes não ocidentais surgem. Após a renúncia (inusitada) do Papa Bento XVI, assumiu o cardeal jesuíta Jorge Mario Bergoglio, o Papa Francisco. É a primeira vez que um latino-americano ocupa o posto e, para muitos, é considerado a personalidade mundial de 2013. Em sua primeira mensagem de Natal, a Urbi et orbi, o novo papa fez um apelo à paz mundial, ao lembrar que ela é um compromisso diário e que é feita em casa. Ele ainda convidou até os que não acreditam a desejarem a paz. O Brasil, novamente, se destacou em duas frentes neste ano: uma delas, com a eleição do diplomata Roberto Azevêdo para o cargo de diretor-geral da OMC, a qual aprovou um acordo global de comércio pela primeira vez; a segunda, a nomeação do general Santos Cruz para comandar as tropas da MONUSCO, missão de paz na República Democrática do Congo, que levou à rendição do M-23, principal grupo rebelde.

No ano da morte do revolucionário Hugo Chávez, uma nova (e surpreendente) liderança surgiu na região e no mundo: o presidente uruguaio Pepe Mujica. Ele substituiu a ideologia pelo pragmatismo. Seu discurso na Assembleia Geral da ONU foi muito aclamado, demonstrando que atingimos o limite, enquanto sociedade, do modelo político, econômico, cultural, etc. vigente no mundo. E deixou uma mensagem clara: “Para que todos os sonhos sejam possíveis, precisamos governar a nós mesmos, ou sucumbiremos porque não somos capazes de estar à altura da civilização em que fomos desenvolvendo.”

Luz e inspiração também não faltaram em dezembro, no mesmo ano em que perdemos a Dama de Ferro, quando a humanidade chorou a morte de Nelson Mandela. O líder africano, e mundial, deixou inúmeras lições imprescindíveis às nossas escolhas sobre o destino. Ao discursar em sua posse em 1994, a tônica foi a reconciliação: “Chegou o momento de sarar as feridas. Chegou o momento de transpor os abismos que nos dividem. Chegou o momento de construir.” Precisamos, urgentemente, enquanto seres humanos, reconciliarmos conosco. É ponto de partida para aprendermos a nos governar e, então, construir.

Que 2014 nos ensine a não apenas sobreviver aos testes que 2013 nos colocou, mas também a vencê-los. O mundo depende menos de concepções tradicionais e mais da quebra de paradigmas, já enunciados por lideranças passadas e algumas do presente. Enfim, leitores da Página Internacional, nós, da equipe, desejamos a cada um de vocês muita paz, saúde, alegria e principalmente esperança no ano vindouro. E reforçamos o convite para que continuem conosco. Vocês são a alma do blog!


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