Retrospectiva 2010: o mundo em estrofes – Parte 1

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[Pois é, pessoal, hora de rever o que aconteceu neste ano de 2010. Fizemos a seleção de alguns fatos e o leitor pode contribuir com outros que julgar interessante. O que acham?]

Lá se vai 2010, voando nas asas do tempo, sem remorso ou lamento. Lamentamos nós, que aqui ficamos, com a memória e os sonhos. A tristeza e a beleza inspiram dramas e odes. De um lado, a dor; de outro, a esperança. As vozes se levantam em uníssono para saudar 2011, que timidamente vai abraçando nossos destinos. É hora de esquecer, lembrar, acreditar, mas, acima de tudo, seguir em frente.

Neste ano, começamos com o coração abalado pelo abalo sísmico haitiano. O chão tremeu, o país morreu. Solidariedade internacional? Mais inércias do que prática concreta. A solidariedade insuficiente se repetiu no inundado Paquistão, acometido pela cólera. Doença que também se proliferou no já trágico Haiti e se manifestou no desinteresse eleitoral, traduzido nas confusas eleições. Eleições? No Senado norte-americano, a oposição é uma maioria esmagadora, enquanto no Congresso venezuelano a oposição ocupa agora quase a metade das cadeiras. Na Costa do Marfim foi pior, o presidente derrotado disse que continua no poder, mesmo à custa de uma guerra civil.

Guerra civil que encontra um sinônimo no México: a luta contra o narcotráfico. Mais de 30 mil mortes desde 2006. Do Zimbábue, vêm os belicosos diamantes de sangue que adornam os socialites. O país quer novamente exportá-los e levou a reabertura do processo Kimberly. No Afeganistão e no Iraque, continua o hercúleo trabalho da pacificação. Mas a guerra, em caráter iminente, não se destacou apenas no horizonte interno, senão também no interestatal: Colômbia vs. Venezuela, Coreia do Sul vs. Coreia do Norte. Possibilidades de invasão ao Irã por parte das grandes potências ou de um confronto entre Israel e Líbano não faltaram como ingrediente bélico.

A guerra também adentrou ao campo econômico, no termo de Guido Mantega, a “guerra cambial”. Soluções individuais para problemas coletivos. Os tentáculos da crise financeira continuam naufragando países. Grécia e Irlanda mergulharam num oceano de dívidas. Espanha, Portugal e Itália serão os próximos. Na França, afetou a previdência e elevou o tempo de aposentadoria em dois anos, rebelando a população. Ruim para os ricos, bom para os emergentes. Em especial, um país vem ganhando relevância, a Indonésia, economicamente fortalecida e que pode trazer uma inovação em política internacional: a primeira potência islâmica e democrática.

Ainda na política internacional, assistimos a um ano marcado pela diplomacia da força, a diplomacia da palavra, a diplomacia secreta e a diplomacia retórica. As grandes potências contra Brasil e Turquia na negociação acerca do programa nuclear iraniano. As sanções contra o diálogo. Muitos “segredos” diplomáticos foram revelados com os intermináveis vazamentos do Wikileaks. No Oriente Médio, palestinos e israelenses retomaram as negociações diretas pela paz, mas a expansão das colônias judaicas travou tudo novamente. Em Cancun, nada de convergência de posições entre países desenvolvidos e em desenvolvimento acerca do meio ambiente.

[Uma indicação de leitura é um artigo da Foreign Policy.]


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1 comments
Álvaro Panazzolo Neto
Álvaro Panazzolo Neto

Bem, nem tudo foi de todo mal esse ano. Ora, a Alemanha finalmente terminou de pagar os juros das suas compensações à França, e encerrou definitivamente a I Guerra Mundial! Ainda resta esperança ao mundo.