Respostas à cólera

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O terremoto no Haiti chamou muito a atenção da mídia. A epidemia de cólera no país que atinge recentemente o país, nem tanto. O fato é que mais de 800 pessoas já morreram e o caos se instaurou numa nação já devastada.

Mas o que está, afinal, sendo feito? Infelizmente, ao menos pelo que nos chega, muito pouco. Vide pela “Estratégia Nacional de Resposta à Epidemia“. Sim, o governo haitiano publicou um documento com a estratégia para conter a doença, que se alastra pelo país. 

A ‘estratégia’ tem 3 páginas. Sendo que uma delas é a capa do documento. E o Ministério da Saúde de lá teve ajuda da Organização Mundial da Saúde para elaborar a estratégia, que conta com 8 hospitais e 80 centros de saúde.

A Organização Mundial da Saúde, por sua vez, além de ajudar o governo haitiano a escrever as três páginas de sua estratégia nacional, constatou o óbvio e alertou que a situação do país pode fazer com que a epidemia se torne ainda maior.

Mas não foi só isso. Também emitiu alguns comunicados, chamados de “Respostas”. O último deles informa que a Organização está estudando o vibrião que causa a doença no Haiti e que ele é similar a outro encontrado no sul da Ásia. Interessante…

E a Organização Panamericana da Saúde? Minha surpresa, ao acessar o site da organização para o Brasil, foi ver que há somente uma pequena notícia no canto inferior direito do site.

Em outros comunicados, a PAHO (Pan American Health Organization) detalha melhor o que está fazendo. Em resumo, contabilizando (ou divulgando através do site, pelo menos) os atingidos pela doença e dando suporte ao governo.

Mas o que essas organizações podem fazer além disso? Muito pouco! O papel delas se resume a pesquisa, acompanhamento em casos de surtos e a apoio aos países nestes casos. O que já é alguma coisa, diga-se de passagem. 

Então quem pode ajudar? Teoricamente, os países podem enviar dinheiro, remédios, mantimentos e pessoal capacitado para trabalhar nestes casos. O Brasil emitiu um comunicado convidando profissionais a prestar auxílio às vítimas. O Hospital Albert Einstein, por exemplo, atendeu ao pedido.

Mas há outras questões envolvidas do que tão somente depositar uma grana, enviar remédios ou comida. Como fazer a ajuda chegar, de fato, às vítimas? Num país com as mínimas condições de infraestrutura, pioradas pelo terremoto, não é nem uma questão de ‘malandragem’ ou corrupção (não que isso seja inexistente) a ajuda não chegar, é quase impossível, mesmo, conseguir uma logística adequada.

E como desgraça pouca é bobagem, como dizia minha avó, um furacão ainda atingiu o Haiti na semana passada. E agora?

Isso tudo sem nem falar nos problemas políticos que estão relacionados à ajuda humanitária internacional.

O fato, caros, é que não sabemos ainda como trazer ‘respostas’ concretas e coordenadas em nível internacional para casos como este do Haiti.


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