Resposta ao leitor – O algodão na OMC

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Pessoal, minha internet voltou!

E hoje publico um post a pedido de um de nossos primeiros leitores: Lucas Santoro Sanches.

Ele nos enviou um email (peço desculpas pela demora em responder, mas estava sem internet) sobre a vitória do Brasil na OMC no caso do algodão. Veja aqui um link do Estadão legal sobre isso também.

O causo é que o Brasil ganhou o direito de retaliar os EUA por conta dos cerca de 4 bilhões de subsídios que o governo de lá dá aos produtores de algodão e que, agora comprovadamente, afetam o comércio entre os dois países.

O problema, Lucas, é que o Brasil muito dificilmente irá retaliar os EUA. Isso mesmo. O nosso governo ganhou o direito de aplicar uma medida contra o irmão do norte. Segundo as regras da OMC, poderíamos escoher uma área qualquer do comércio e aplicar sobretaxas no valor determinado para compensar o desequilíbrio provocado pelos subsídios dos americanos. No caso do algodão, cerca de 300 milhões de dólares – uma fração dos 2,5 bi que o Brasil pediu…

Ou seja, os subsídios por lá vão continuar com certeza mesmo que o Brasil aplique a tal medida. O que são 300 milhões perto de 4 bilhões em subsídios ou do tamanho da economia americana? E pra economia brasileira? Compensa a briga?

Então, restaria ao Brasil tentar usar esse ‘trunfo’ com fins políticos de pressionar o governo americano. Mas alguém acha que isso surtiria algum efeito? E mesmo que surtisse, existe a tal da retaliação cruzada. Simples assim: o Brasil aplica a medida e eles inventam outra maneira de retaliar em alguma área do comércio. Aí outra investigação na OMC teria de ser aberta. Essa do algodão já se arrasta desde 2002.

Os causos na OMC são caríssimos, principalmente pelos honorários advocatícios. E adivinha quem paga por eles? Os setores interessados, que custeiam todo o processo, e não o governo. Só que quem decide aplicar as medidas é o Estado, que é soberano pra isso. Ou seja, tudo que foi gasto pode simplesmente ter ido pro ralo.

Ou seja, o Brasil ganhou, mas não levou.


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