Respeito tem limites

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Enquanto o mundo se concentra em Honduras, continuamos com nossa análise nos cantos esquecidos do mundo.

Nesses dias em Guiné, a Junta Militar que assumiu recentemente o governo reprimiu de forma opressiva (com muito eufemismo) os protestos que ocorriam contra a Ditadura vigente. Relatos de mortes de crianças, estupros e outras atrocidades se misturam com declarações oficiais de que isso “é invenção da mídia”. Sempre é. Como no caso do Sudão, Ruanda, Argélia…

Para complicar, o chefe da Junta militar diz que “Os fatos me superaram. Deste Exército eu não controlo todas as atividades. Dizer que eu controlo este Exército seria demagógico”. Qual é o propóstio de um governo militar se ele nem consegue controlar…. os militares?

Porque ninguém faz nada para controlar essa situação? Porque ninguém vai lá e pune os culpados por essas atrocidades. Várias razões podem ser apontadas, mas a base da maior parte dos argumentos que buscam legitimizar a passividade mundial nessas questões é uma: soberania.

Soberania: os governos tem autonomia para tomar as decisões relativas a suas políticas internas. Até então nada de errado. Porém, esse argumento é continuamente utilizado para impedir a entrada de ajuda internacional nos países de governo não-democrático, e como ninguém quer ter a sua soberania violada, nenhum Chefe de Estado irá violar a dos outros (claro que existem exceções, não é George Filho?).

“Não podemos sair por aí entrando no país dos outros”. Sim, tudo bem. Mas igualmente errado é deixar essas e outras questões continuarem ocorrendo, de forma que a inação do sistema internacional acaba por quase que legitimar as atrocidades cometidas, já que se nenhum país faz nada de efetivo contra, é porque não há nada de errado.

Infelizmente a resposta para esse problema é extremamente difícil de se encontrar… Mas ela só chegará se alguém buscá-la.


Categorias: África, Política e Política Externa


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