Renovação

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Já é meio que tradição comentar eleições às segunda-feiras aqui no blog. E, nesse fim de semana, não foi diferente, com dois pleitos bastante interessantes e que no fim das contas são situações bem parecidas – mas com destinos bem diferentes. Peru e Portugal buscam alternativas para o futuro, e o afastamento do passado.

No nosso vizinho andino, já é confirmada a vitória do nacionalista Ollanta Humala, derrotando a candidata Keiko Fujimori. Mais do que impedir a volta ao poder do clã Fujimori (de triste memória, e a cuja herança política Keiko estaria inevitavelmente ligada), é visível a mudança de rumo do próprio Humala, outrora um autoritário militar que apoiou um golpe militar fracassado (contra o próprio Fujimori), e hoje um pragmático e moderado, que diz ser fã de Lula, querer lutar contra a corrupção e melhorar a distribuição de renda no país. Isso tudo sem deixar de manter políticas mais moderadas na economia, para manter o crescimento do PIB verificado no governo Alan Garcia.

Já em Portugal, ocorreu o esperado – em um momento de crise, o atual governo socialista foi derrotado nas eleições parlamentares e agora terá de se conformar com um governo de coalizão com os vencedores, o partido de centro-direita PSD, que teve seu líder eleito como primeiro-ministro. Os eleitores não perdoaram o fracasso econômico da administração de José Sócrates, e o novo governo vai ter que se adequar ao plano de ajuste fiscal exigido pela União Europeia e pelo FMI.

Claro que são contextos bem diferentes, e que se refletem inclusive no eleitorado: enquanto no Peru há mobilização popular para comemoração dos vitoriosos, em Portugal e crise é tão feia que muitos nem se importam em votar. Países em momentos diferentes, de fato, mas com atitudes semelhantes. Seja na busca de solução para a crise como em Portugal, seja na esperança de manter o atual nível de crescimento no país sul-americano que mais cresceu proporcionalmente nos últimos anos, renovação é a palavra de ordem.


Categorias: Américas, Economia, Europa, Política e Política Externa


2 comments
Álvaro Panazzolo Neto
Álvaro Panazzolo Neto

O caso do Humala é interessante, por que parece muito com o do Lula - quando diminuiu o tom radical, conseguiu apoio e foi eleito. O jeito é esperar pra ver se vai se manter desse jeito ou se vai descambar quando estiver no poder - mas acho pouco provável, e talvez siga o mesmo caminho de aplicar programas sociais e tal.

Mário Machado
Mário Machado

O crescimento do Peru tem sido forte e robusto (tá eu sei, mas trocadilhos são inevitáveis quando o assunto é Peru), mas há as onipresentes - pelo menos na América do Sul - desigualdades internas. Não estou particularmente empolgado ou preocupado com Humala embora suas tendências golpistas preocupem. Quanto a Portugal creio que só de Socrates ter ido já melhora muito. Abs,