Regulamentar, como?

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De volta a Davos, ainda sobre o ponto que o Raphael levantou em seu último post, Obama quer regulamentar os bancos. O debate não gira em torno de fazer ou não fazer, mas de como fazê-lo. Ainda na semana passada, o presidente americano propôs diminuir o porte dos bancos e restringir a liberdade dos bancos de utilizar capital próprio em atividades especulativas, e antes disso, a criação de um imposto sobre as obrigações dos bancos.

Mas justo os EUA tem se mantido distantes das discussões. O resultado? Mais blá-blá-blá e dificuldade de alinhamento entre os países, mais espaço para populismo. O discurso inflamado de Sarkozy na abertura do Fórum Econômico Mundial deu combustível suficiente para alimentar esse discurso.

Ora, o que mais preocupa: excesso ou ausência de regulação? Propostas de um imposto aplicado a movimentações de capital no mercado financeiro também surgiram, ao que – em sua maioria – sofreram rechaça no cenário internacional. Se liberar não é a ordem do dia, nada mais natural que seguir com as discussões que entraram em pauta na quebradeira do ano passado.

Ocorre que a chance de alguns países apenas aderirem ao sistema de regulação bancária preocupa os Estados. E isso é quase uma certeza, pois banco que é banco vai optar por transferir operações para os países mais camaradas e não faltarão anfitriões ansiosos por hospedar os grandões do setor.

Os bancos sempre clamaram por independência. Deu no que todos nós sabemos, e muito dinheiro do governo americano foi injetado para cobrir os títulos podres do mercado imobiliário. Bancos que sobreviveram à crise e passam muito bem, obrigado, devem pagar o pato do mau uso alheio. Isso ocorreu com Brasil, Colômbia, Canadá, Espanha, entre outros. Israel também se posicionou de maneira contrária à taxação extra proposta em Davos.

Se não se pode contar com o bom-senso da autorregulamentação bancária, e as boas intenções e promessas de mudança não são suficientes para barrar outro efeito dominó econômico, então restrinjam a farra financeira – se puderem.

 


Categorias: Economia


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