Refugiando-se

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Refúgio. Assunto delicado para todas as partes envolvidas: países de origem (já que a questão nunca pode ser analisada isoladamente, trata-se de uma consequência de problemas muito maiores); países de destino (dependendo do fluxo de refugiados em questão, há o risco de limitações por parte desses países temendo por sua própria segurança); comunidade internacional (por meio de suas diversas organizações, notadamente a ONU, a mediação tenta ser feita, mas sempre sujeita à disposição dos Estados); e, principalmente, os refugiados e solicitantes de refúgio em si (pessoas mais afetadas por toda a situação – aqueles que sofrem em suas próprias vidas as consequências de todas as dificuldades que envolvem as demais partes mencionadas).

Nesta segunda-feira, tive a oportunidade de participar da 1ª Oficina Paulista de Jornalismo sobre Proteção Internacional de Refugiados, realizada em São Paulo pela Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania em parceria com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR). O tema, já discutido em posts recentes no blog (aqui e aqui), está constantemente em pauta na agenda das Relações Internacionais, devido aos sempre existentes conflitos que atentam contra a vida e o bem-estar dos indivíduos, seja em termos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opinião política.

Os sírios, hoje, já somam mais de 250 mil refugiados (registrados apenas nas estatísticas oficiais – número possivelmente muito diferente da realidade!) em meio a um conflito sem previsão próxima de desfecho. Considerando que os países vizinhos são sempre os destinos mais visados pelos que fogem de quaisquer perseguições, mais de 80 mil sírios são os refugiados reconhecidos pelo governo da Turquia. Número próximo à situação da Jordânia, onde já se encontram mais de 77 mil sírios (com 30 mil à espera do reconhecimento de refúgio); ainda há aproximados 60 mil no Líbano (com mais de 15 mil à espera) e quase 20 mil no Iraque (com cerca de 2 mil à espera).

O Brasil, país tão distante geograficamente (e até politicamente!) da revolução síria recebeu, por sua vez, 60 refugiados desde o começo dos conflitos – refugiados que enfrentam logo de início o grande desafio do idioma para se integrarem à sociedade e desempenharem suas atividades mais básicas. Uma rede de apoio (mais aqui) foi criada para acolher essa população que, ainda que pequena, enfrenta dificuldades imensas em nosso país.

Neste evento em São Paulo, o depoimento de um refugiado sírio que vivenciou o início dos conflitos com sua família na cidade de Homs deixou todos os participantes ainda mais estarrecidos diante da violência relatada por uma pessoa comum, vítima (como tantos outros) de ataques desvelados de um governo contra seus próprios cidadãos. Cada uma das milhões de vítimas desse conflito certamente teriam histórias similares a relatar, denunciando as consequências práticas da incapacidade política de resolver a questão.

Refugiando-se, as pessoas buscam condições mínimas para seguirem suas vidas quando estas se encontram sob as mais diversas ameaças. Refugiand0-se, os indivíduos esperam receber a proteção que, tal como no caso atual da Síria, lhes foi (ou está sendo) negada por aqueles cujo objetivo principal deveria ser zelar por ela… 


Categorias: Assistência Humanitária, Brasil, Conflitos, Direitos Humanos, Oriente Médio e Mundo Islâmico


1 comments
Jéssica
Jéssica

Eiiii,Ótimo post!Então, acho a questão dos refugiados bem complexa e ao mesmo tempo muito interessante. Como dito, envolve diversos fatores!Essas pessoas que buscam abrigo tinham uma rotina,moradia, os filhos iam à escola e de repente um conflito estoura e obriga-as à fugirem para um lugar seguro deixando pra trás, casa, emprego,amigos, muitos deixam uma parte da família (tio, ta, avô, avó e até mãe e pai). No entanto, sabemos que apesar de todos os esforços de ONGs e OIGs a situação em muitos campos é precária, tem lugares em que faltam latrinas,barracas, muitas pessoas são assaltadas, sequestradas entre outros. Há também o fato de que muitas pessoas passam por enormes riscos até chegarem aos campos, pois muitas caminham por dias (muitas sem nada pra comer ou beber)até chegarem ao abrigo.Como ja mencionado, os refugiados são uma das partes que mais sofrem com tudo isso, pois além de deixarem tudo pra trás ainda tem que esperar um temppo indeterminado para o conflito acabar e voltarem para as suas casas ou para conseguirem abrigo em outros países.E o que é mais preocupante é que o número de refugiados aumenta,já passa dos 15 milhões e mesmo não tendo o reconhecimento no estatuto dos refugiados, aquelas pessoas que fogem por causa das mudanças no clima, os chamados refugiados climáticos,tem uma grande participação nesse aumento, pois muitos países os acolhem como refugiados.Abraços!