Quirguistão: novos capítulos

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Este país localizado na Ásia Central, por incrível que pareça, já foi tema de alguns posts aqui na Página Internacional. A sua estabilidade volta ao noticiário, na forma de uma esperança reacendida. Desta vez, as eleições presidenciais foram finalizadas com a vitória do primeiro-ministro, Almazbek Atambayev. A ele será incumbida a difícil tarefa de conseguir finalizar a transferência de poder pacificamente, o que não ocorreu desde a independência do país em 1991.

Para alguns, o Quirguistão pode ser um país invisível, pouco conhecido e de pequena relevância no cenário internacional. Contudo, as tensões advindas ainda da guerra fria, as acirradas cisões étnicas, o referendo que estabeleceu o parlamentarismo e as reações da sociedade civil mantiveram o país sob os holofotes internacionais. Seu caráter estratégico, marcado pelo constante interesse de Rússia e Estados Unidos, contrasta com a sua fragilidade estatal e institucional. O recém-eleito iniciará seu governo com denúncias de irregularidades durante o dia da eleição.

Atambayev, um bem-sucedido empresário, promete trazer prosperidade e estabilidade para sua nação. Outra promessa, por outro lado, desperta expectativa internacional: o fechamento da base militar norte-americana, localizada na capital Bishkek. Ao contrário dos seus vizinhos (Uzbequistão, Cazaquistão e Tadjiquistão), onde sobreviveram governantes fortes, o Quirquistão viu poucos rastros de estabilidade. Porém, é justamente debaixo das ruínas de seus problemas recentes que reside a esperança do seu florescimento democrático.

O presidente, frente aos desafios inerentes à sua função, terá que lidar com grupos da sociedade civil e outras lideranças políticas, ambos munidos de liberdade para operar, discutir preocupações e levar às ruas suas demandas. Com relação ao âmbito externo, há implicações para a estabilidade regional, na medida em que o país é parte da rota para contrabandear drogas para o Oeste e poder virar alvo de militantes islâmicos em busca novas bases. O país está também perto de China e Rússia.

Mia Couto, importante escritor moçambicano, defende:

“A esperança é a última a morrer. Diz-se. Mas não é verdade. A esperança não morre por si mesma. A esperança é morta. Não é um assassínio espetacular, não sai nos jornais. É um processo lento e silencioso que faz esmorecer os corações, envelhecer os olhos dos meninos e nos ensina a perder a crença no futuro”. (E se Obama fosse africano?, Mia Couto, 2009) 

Não parece ser o caso. A esperança segue viva e em pauta no Quirquistão.


Categorias: Ásia e Oceania


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